Jóias do Jequitinhonha
Coletânea
resgata a música do Vale em seis discos. Projeto integra o programa de
desenvolvimento sociocultural da regiãoUma idéia
imaginada, há alguns anos, pelo cantor e compositor Rubinho do Vale, a
de fazer o mapeamento da música do Vale do Jequitinhonha, uma das mais
ricas e criativas regiões do país, começa a ser coroada agora, com o
lançamento da coletânea A Música do Jequitinhonha, com seis CDs:
Cantigas do Vale, de Geovane Figueiredo; Frei Chico–Lira Marques, com
Dona Generosa e Corais de Araçuaí; Queremos navegar, com o Coral Nossa
Senhora do Rosário; Um trovador do Vale, de Pinaco, além de dois discos
de Rubinho, Forró e Vida, Verso e Viola. Esse é um dos oito projetos que
integraram o primeiro ano do Viva o Vale! – Programa de Desenvolvimento
Sóciocultural do Vale do Jequitinhonha, patrocinado pela Avon do
Brasil, com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas
Gerais. A festa de apresentação dos discos, com a presença da maioria
dos participantes, foi realizada sexta-feira no Music Hall, onde o
forró, as cantigas de folia e outras manifestações culturais rolaram até
altas horas.
Mineiro de Rubim, de onde saiu na década de 1970,
Rubinho do Vale conta que está feliz com o resultado obtido. “Há tempos
eu queria registrar, como ocorreu agora, o trabalho de alguns artistas
populares do Vale, como Pinaco, de Rubim; Geovane Figueiredo, de
Jordânia; Newton Oliveira, e outros, que são ótimos, mas ainda não
haviam tido oportunidade de ver sua arte documentada em um disco”, diz o
cantor. Com o pé na estrada, e muita disposição para levar adiante seu
projeto, Rubinho foi ao encontro desses artistas do povo, alguns deles
já mais velhos, como o excelente poeta popular Geovane Figueiredo, cuja
obra estava inexplicavelmente inédita até agora. O CD com composições
suas, Cantigas do Vale, do qual participam Wilson Dias, Carlos Farias,
Tau Brasil, Nen Viana, Lucinho Cruz, Helena Santos, Newton Oliveira e
outros, é um dos pontos altos da coleção. Ela traz, ainda, a arte de
Pinaco, que, aos 88 anos, vive em Rubim, canta e conta no disco, além de
“causos” engraçados, outros com algum apelo social.
A artesã
Lira Marques e o lendário Frei Chico,, “um holandês mais brasileiro do
que muitos brasileiros”, segundo Rubinho do Vale, também mostram que são
bons de música no CD Frei Chico – Lira Marques, com Dona Generosa e
Corais de Araçuaí. Rezas, folias de reis, benditos, canções para pedir
que venha chuva, além de batuques, misturam-se nas cantigas, nas quais
se percebe a essência musical do Vale do Jequitinhonha, onde a
religiosidade sempre foi traço forte. O disco conta, ainda, com a
participação especial dos corais Trovadores do Vale, Nossa Senhora do
Rosário, do Arraial dos Crioulos de Araçuaí e do Arara Grandes.
Pela
primeira vez Rubinho grava um disco só de forró. “À primeira vista, a
música do Vale do Jequitinhonha parece ser melancólica e triste. Mas
quis mostrar também nosso lado alegre e dançante nesse trabalho”, conta o
cantor. O CD vem com participações de Margareth, Noeme, Gláucia, Déa
Trancoso e do Trio Bodocó, da Paraíba, além de Bruno, de apenas 13 anos,
e ainda de Wilson Dias e Carlos Farias. No outro disco, Vida, verso e
viola, esse menestrel do Jequitinhonha – que diz ter sido influenciado
no início da carreira pelo grupo Raízes, criado no início dos anos de
1970 pelos montes-clarenses Charles e Tino Gomes – canta e fala da sua
vida, desde a infância, em Rubim, até a chegada a Belo Horizonte, onde
sedimentou sua carreira musical. As capas dos discos, que lembram os
trabalhos de alguns dos muralistas mexicanos, foram feitas pela artista
plástica Marina Jardim.
Portal www.uai.com.br
Segue coleção A Música do Jequitinhonha: Sons do Brasil. Clique nas capas para baixar.
Cd Bônus (não pertence à coleção)