Paulinho de Carvalho é mineiro da cidade de Betim é Músico, Compositor, Escritor, Professor, Coordenador do Projeto Música nas Escolas.
Rosa Minine Rosa Minine Rosa Minime (http://anovademocracia.com.br)
Rosa Minine
Preocupado em preservar a cultura de sua cidade, Betim, MG, e
mostrar que lá também tem gente, música e poesia, o compositor,
instrumentista e cantor Paulinho de Carvalho resgata cantadores, causos,
personagens, brincadeiras de criança, quase esquecidas, e lança em
discos e livros. Fazendo um trabalho de valor cultural e educativo,
Paulinho desenvolve projeto junto a escolas locais, na luta contra a
ausência da música nas mesmas.
— Betim é conhecida no Brasil e lá fora como cidade industrial, e
desde que implantaram aqui a fábrica da Fiat, que é italiana, aumentou
de menos de 50 mil para aproximadamente 400 mil habitantes. Sempre tive
uma preocupação com esse crescimento tão rápido, sem uma referência
artística musical, um músico conhecido, ou alguém da área de teatro, da
literatura que pudesse trabalhar e defender a cultura local — diz
Paulinho.
— Por isso tive a ideia de resgatar os cantadores, as folias de reis, os
congados, e mostrar para o pessoal daqui mesmo e para o mundo que não
corre só óleo diesel e gasolina nas veias da cidade, mas tem gente, tem
poesia, tem cultura, que não podem desaparecer — defende.
— Sou de uma família tradicional daqui, bem antiga mesmo, e comecei com
música muito cedo, porque meu avô, Zé Capitão, era músico amador que
tocava entre amigos e nas serenatas que faziam para as moças da cidade, e
me ensinou os primeiros acordes em seu violão — conta.
Paulinho toca vários instrumentos, tendo uma preferência pela viola, e
sua música, segundo diz, é a regional cultural popular brasileira, dando
especial atenção para a poesia e as histórias do povo.
— Nas minhas músicas se encontra baião, samba, folias de reis, catira,
MPB, enfim, um passeio por vários estilos. Minhas inspirações vêm muitas
vezes da época de criança, daquelas brincadeiras das bolinhas de gude,
tenho música com trechos de trava-língua. Gosto muito de compor música
infantil para lembrar das brincadeiras esquecidas. Mas também conto a
história da cidade e falo dos personagens marcantes que conheci ou ouvir
falar, dos personagens da rua e pessoas importantes na cidade — expõe.
— Tem, por exemplo, a Geralda Gracinha, que era uma pedinte do meu
tempo de criança. Morria de medo quando a via, mesmo olhando pela janela
já começava a tremer. Ela passava com aquelas sacolas sujas, o lenço na
cabeça, umas meias vermelhas, a saia rodada cheia de renda rasgada, um
rosto enrugado, e olhava no meu olhar, eu já saía correndo. E minha mãe
dizia 'ó, ela vai te pegar' — lembra.
— No livro e nas músicas todos os personagens tem o mesmo valor, do
simples ao intelectual, dos pedintes aos importantes. Consideram que
foram pessoas que, de alguma forma, ajudaram a construir a cidade, tendo
cada um o seu valor histórico. E é uma forma de registrar essas
pessoas. Também tenho músicas falando de amor à natureza e do que surgir
no momento — expõe.
Entrando com música nas escolas
Paulinho defende a volta da música nas escolas como disciplina obrigatória, devido a sua importância.
— Vou dando uns toques nesse sentido em minhas músicas, usando algumas
metáforas, porque parece que ainda estamos no tempo do regime militar,
com a música até hoje exilada das escolas. E do meu jeito, através do
Projeto Cururu,
vou entrando nas escolas, combatendo um pouquinho essa música que está
aí na mídia, massificando os ouvidos de todos, dentro ou fora das
escolas — declara.
O
Projeto Cururu, segundo Paulinho, objetiva o resgate da cultura
musical, educação, formação e socialização de crianças e jovens por
meio da música. Abrange desde a confecção de instrumentos de percussão, o
aprendizado dos mesmos, a montagem de um coral e a participação em
discos e livros.
— Em 2005, gravei meu quarto disco com a participação das crianças de
escolas municipais daqui. Eles montaram os instrumentos de percussão, os
ensinamos a tocar e os levamos para o estúdio. O disco foi distribuído
nas escolas na época. Em 2008, quando lancei o livro
Projeto Cururu. Indelével, a nossa história! Betim, veio encartado esse CD com as crianças cantando, junto com músicas inéditas compostas em parceria com os alunos — conta.
Paulinho de Carvalho gravou seu primeiro disco,
Cantos e cantorias, em 1993. Depois lançou
Portal do sertões. Em 2000 fez
Capela,
já envolvido com o Projeto Cururu, um disco bem artesanal, em que todos
os instrumentos de percussão foram feitos nas escolas junto aos alunos e
professores.
— O
Projeto Cururu. Indelével, a nossa história! Betim,
Vol. II. Continuando as histórias. É um projeto bem musical e educativo, com músicas inéditas e
de domínio público.
— Paralelo ao DVD, fiz também um CD,
homenageando o pessoal da rádio Inconfidência. Ele vem com muitos
causos, prosas e cantigas.
Em 2012 Paulinho gravou seu primeiro DVD "Concerto sem preconceito" no teatro de Vila Isabel.
E continuo me apresentando em teatros,
empresas, universidades e escolas, em Betim e várias outras partes,
principalmente Belo Horizonte, que é colada aqui, cantando e contando
causos — conclui Paulinho.
Para contatar discos e DVDs: (31) 3532-4855
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CANTO SAGRADO