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domingo, 18 de outubro de 2015

REGINA MILAGRES

 Por Luiza Serrano

Cantora por essência, Regina Milagres encontrou no estudo e ensino de técnicas vocais, voltadas ao canto popular, a vocação que rege sua trajetória musical. Profissional de canto popular desde 1990, iniciou seus estudos técnicos no Coral Madrigal Renascentista de Belo Horizonte.
Estudou canto popular na Babaya Escola de Canto de 1993 e 1997, onde, a partir desta data, tornou-se professora de técnica vocal e também desempenhou o cargo de Coordenadora Pedagógica, até o ano de 2010. Conciliando sua carreira de preparadora vocal e cantora, Regina Milagres imergiu em diversos cursos no Rio de Janeiro e São Paulo, sendo pós-graduada em voz pelo Centro de Estudo de Voz, sob coordenação da renomada fonoaudióloga Mara Belhau. 
Como intérprete, integrou projetos musicais importantes, concebidos principalmente na capital mineira, como “Nada será como antes”, em homenagem aos 25 anos do Clube da Esquina, e “Confissões - Um poema musical”, do compositor, instrumentista e produtor Geraldo Vianna.
Integrante de diversos espetáculos musicais, Regina também registrou sua voz em trabalhos de outros parceiros, como em “E lá vou eu nessa estrada - A música de Paulinho Pedra Azul”. Como cantora e atriz, destaque para a participação em “Os Elefantes se alimentam de flores”, minissérie dirigida por Breno Milagres. 
No espetáculo cênico “Mosaico”, atuou ao lado das cantoras Camila Jorge, Mariana Brant e Luciana Vieira. Em “Uma festa no céu”, com grande elenco, foi dirigida por Kalluh Araújo. Realizou ainda a preparação vocal de vários cantores brasileiros
O CD " Regina Milagres" é uma produção independente com arranjos e direção musical assinados por Geraldo Vianna. No repertório, releituras criativas, com sonoridades variadas. Parte de um samba-jazz, " Mora na Filosofia", de Monsueto e Arnaldo Passos, cadenciado de forma inusitada pelo violão do diretor, Geraldo Vianna e por uma bateria suave desenhada nas baquetas de Esdras Ferreira ( Neném). O repertório ainda conta com as canções " Impasse" de Vinícius Calderoni, que agrega a participação especial do acordeon de Célio Balona, "Prova de Carinho" de Adoniran Barbosa e Hervê Cordovil.
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sábado, 17 de outubro de 2015

LADSTON DO NASCIMENTO - LUGARZIM

Ladston do Nascimento lançou seu ultimo disco em 2011 o aclamado  cd “Lugarzim”. Em 25 anos de carreira, ele vem reafirmar que é um autêntico discípulo de um estilo musical que ajudou a transformar o Brasil. Com Antonio Martins mostra neste trabalho, a extraordinária capacidade de renovação da música mineira. Produzido impecavelmente por Jota Souza, torna-se ideal para quem quer ouvir e sentir, no mesmo ambiente, versos ricos de Antonio Martins, Fernando Brant, Tadeu Franco, do próprio Ladston e muitos outros.


o circo do miudinho
batida de rum
da cor de amora
a flor dos três rios
brasileira
festa da colheita
o povo de lugarzim
aldeia do moinho
um manuelzão
curumim, curumim
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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

FRED REIS - TANTAS ESQUINAS

Fred Reis é professor universitário de matemática e, há dez anos,  entrou para o mundo da música. Ainda na adolescência, descobriu a MPB, ouvindo Milton Nascimento e, depois, Elis Regina, até hoje suas grandes referências. 
Incentivado por amigos e familiares, começou a estudar técnica vocal na Babaya Escola de Canto, em 2001, onde participou dos projetos: Ensaio Aberto,  Palco Aberto e Construindo um Show.
 Em 2008, produziu seu primeiro show: “Por Toda Minha Vida”, apresentado no Teatro da Biblioteca Pública Luiz de Bessa, na Praça da Liberdade.
 Em seguida, foi a vez dos shows “Alguma coisa chamada amor” (2009), dedicado ao lado romântico da MPB,  “Segue o Teu Destino” (2010), com releituras de clássicos de Tom Jobim, Chico Buarque e Roberto Carlos, além da música título, composição de Sueli Costa sobre poema de Fernando Pessoa.
Em 2013, criou o projeto “Tantas esquinas”, que deu nome ao cd, em homenagem ao Clube da Esquina e aos compositores mineiros que foram influenciados por este movimento.
Já em abril de 2014, participou do Show ‘’Encontro’’, no Teatro de Câmara Brasil Vallourec, em Belo Horizonte, ao lado da cantora Regina Milagres e do músico Cláudio Faria. Marcou presença também no Festival de Encerramento do 2º Congresso UNIFEMM e da 2ª Virada Cultura de Sete Lagoas, com o show Coletânea MPB.

O CD Tantas Esquinas traz em nove releituras e uma canção inédita, em parceria de Fred Reis e Ladston do Nascimento, numa homenagem ao Clube da Esquina e à música mineira. No cd participações especiais de Amaranto, Kadu Vianna, Ladston do Nascimento e Regina Milagres. O Cd foi produzido por Bruno De Marco e Pedro Estrela.

01. Para Lennon e McCartney (Lô Borges, Márcio Borges e Fernando Brant)
02. Tudo que você podia ser (Lô Borges e Márcio Borges)
03. Paisagem da janela (Lô Borges e Fernando Brant)
04. Tantas Esquinas (Ladston do Nascimento e Fred Reis)
05. Clube da Esquina 2 (Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges)
06. Não se apague esta noite (Lô Borges e Márcio Borges)
07. Cruzada (Tavinho Moura e Márcio Borges)
08. Uma canção (Lô Borges e Ronaldo Bastos)
09. Viola Violar (Márcio Borges e Milton Nascimento)
10. Um Girassol do Cor do Seu Cabelo (Lô Borges e Márcio Borges)
 
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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

MARCUS VIANA - POEMAS MISTICOS DO ORIENTE - (repost a pedido)

“Poemas Místicos do Oriente” é uma seleção de poemas de três grandes filósofos orientais: o libanês Khalil Gibran e os persas e sufis Omar Khayyam e Rumi. “Poemas Místicos do Oriente” é um tratado sobre Transcendência. Tanto música quanto poesia, insistem e apontam para a fugacidade dos sonhos humanos e os valores permanentes do Espírito. O resultado final para o ouvinte atento é uma grande transformação de consciência. Os poemas são recitados por Letícia Sabatella e a música é de Marcus Viana.

01 - Rubaiyat I
02 - Rubaiyat II
03 - A Lua de Tabriz
04 - Na Floresta
05 - Artista
06 - O Destino do Coração
07 - Rubaiyat III
08 - O que Não Somos
09 - O Mundo Além das Palavras
10 - Estou Partindo / Fica
11 - Talaa Al Badru Aalaina
12 - Sama III / IV
13 - A Hora da União
14 - Mundos Infinitos
15 - Do Amor

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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

CÉSAR LACERDA - PARALELOS E INFINITOS

César Lacerda é cantor, músico e compositor. Mineiro da cidade de Diamantina, passou a sua adolescência em Belo Horizonte, viveu por oito anos na cidade do Rio de Janeiro, e agora mora em São Paulo.

Lançou em 2013 o seu primeiro disco, "Porquê da Voz" (produção musical de Elisio Freitas) com doze faixas autorais; e que conta com as participações especiais de artistas como o cantautor Lenine, o percussionista Marcos Suzano, do quarteto de cordas do leste-europeu Taron, e de alguns novos nomes da MPB, como o pernambucano Carlos Posada (Posada e o Clã) e a cantora e atriz Juliana Perdigão (Teatro Oficina). O disco foi celebrado pela crítica especializada e, de lá pra cá, o músico já levou o seu trabalho para sete países (Brasil, Uruguai, Cuba, Holanda, Alemanha, Itália e Portugal), tocando em espaços respeitados como a Casa da Música em Portugal (ao lado do rapper Emicida), o Club Bahnhof Ehrenfeld na Alemanha, o TramJazz na Itália (ao lado do senegalês Madye Diebate), no Festival Romerias de Mayo em Cuba; e no Oi Futuro no Rio de Janeiro, Teatro Paiol em Curitiba e Sesc Vila Mariana em São Paulo.
César têm parcerias musicais com artistas como Paulinho Moska, Matheus Nachtergaele, Eucanaã Ferraz, Fernando Temporão, Letícia Novaes e Luiz Gabriel Lopes. Já teve canções suas gravadas em discos de artistas como Filipe Catto, Graveola e o Lixo Polifônico, Duda Brack, Kristoff Silva, entre outros.

Paralelamente, César Lacerda tem participado de diversos projetos como a coletânea Mar Azul, projeto digital produzido pela Tocavídeos; uma homenagem ao Clube da Esquina lançada pelo selo Slap (Som Livre). O tributo aos Novos Baianos, projeto digital Tinindo e Trincando, produzido pelo site paulista Jardim Elétrico. E do EP digital Instantâneos do Festival Dobradinhas e Outros Tais, ao lado da cantora e parceira Letícia Novaes da banda Letuce. Faz, ainda, parte da 10a temporada do programa Zoombido do cantor e compositor Paulinho Moska, que estreia em julho de 2015, no Canal Brasil.
Em 2015, o artista prepara o lançamento do seu segundo álbum "Paralelos & Infinitos", com produção de Pedro Carneiro. Na gravação do novo disco, o multi-instrumentista executa noventa por cento dos instrumentos e conta com participações especiais dos artistas Cícero, Mahmundi, Lucas Vasconcellos e Pedro Carneiro. O álbum, que contém oito faixas autorais, saiu em agosto pela gravadora paulista Jóia Moderna do DJ Zé Pedro.

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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

ROBERTO ZARA - INSTRUMENTAL - (exclusividade canto sagrado)


Simplicidade mineira no som da viola caipira.  
Estive este final de semana em Glaura, distrito de Ouro Preto, lugar de eximia beleza, conheci uma pessoa muito especial, cheio de magia um protetor da natureza, me presenteou com esse belíssimo disco, lugar mágico, pessoas mágicas, desfrute cada acorde........
Deixo meu agradecimento e um grande abraço ao "LOBO" Delamontag´ne. 
(Daniel)


Álbum de estreia do compositor mineiro reúne canções instrumentais feitas no mato 

ROBERTOZARA


Foram semanas isolado do caos urbano, ouvindo apenas o silêncio do mato para testar as infinitas afinações de suas violas. É nesse ritmo manso, de quem não tem pressa para escolher os melhores acordes e notas, que o cantor e compositor Roberto Zara, 53, reuniu inspiração para lançar seu primeiro álbum, “Roberto Zara - Instrumental”. Com dez faixas, o disco é uma ode à cultura de Minas Gerais, repleto de arranjos de cordas que remetem à natureza, sons de pássaros e cachoeiras, além de outras simplicidades que se escondem atrás das tradicionais montanhas mineiras.
Com quase 35 anos de carreira, Roberto Zara participou de dezenas de bandas na década de 70, como a Favo de Mel, ao lado de Claudio Venturini, Ronaldo Venturini, Julio Venturini e Elldon Moreira, além de trabalhar com produção musical em diversos estúdios da capital mineira, como o Bemol, Ferretti, 108 e REC. Só agora, porém, ele decidiu lançar o primeiro disco solo, após acumular décadas de experiência. “Fui acumulando durante a carreira aspectos da MPB, da bossa nova, Clube da Esquina etc. E só agora eu tive a vontade de colocar um som genuíno de Minas Gerais em um álbum com a minha personalidade”, diz o músico.
Se tivesse que escolher uma definição para todo o disco, talvez Roberto Zara escolhesse a palavra paciência. Afinal, foram três anos de idas e vindas até a Serra do Cipó, onde ele se recolheu nos povoados de Lapinha da Serra e São José da Serra, desde 2011, para meditar, arranhar seu violão, comer broa de fubá com café e bater papo à toa. “Eu passava o dia testando afinações do bandolim em mi e de uma viola em sol, compondo, rearranjando numa paz total e um clima muito mineiro. Guardei as músicas compostas lá e agora achei que elas estavam maduras para serem gravadas”, diz.
Apesar de um processo longo de composição, “Roberto Zara - Instrumental” foi gravado em apenas quatro dias, no estúdio Celsom, no Prado, de forma totalmente analógica (“o instrumento precisa ser captado à moda antiga para soar como algo genuíno de Minas, não adianta fazer diferente com viola”, justifica o compositor em meio a risos).
Multi-instrumentista, Roberto Zara gravou as violas de 10 e 12 cordas, bandolim e mandolim (variação italiana do bandolim), além dos violões de aço e nylon. Os outros instrumentos que dão corpo às canções do disco – órgão, violino, violoncelo e flauta transversal – foram todos gravados no teclado pelo maestro e parceiro, Celso Ramos. “Eu quis usar essencialmente a viola e o bandolim neste trabalho porque representam a raiz e a essência de Minas Gerais. Os outros instrumentos são complementares e, apesar de serem clássicos, mantiveram a pegada popular do disco que eu queria”, diz.
Entre algumas das principais canções do álbum, chama atenção a moda de viola “Enganoso Coração”, com arranjo suave em que predominam a viola caipira, o contrabaixo acústico e um bandolim marcante. Destaque também para “Maçãs e Passarinhos”, composta em parceria com o músico Gerdeson Mourão, que faz praticamente uma reflexão sobre o canto dos pássaros e o silêncio do meio do mato.



MAR AZUL - SONS DE MINAS GERAIS - VOL.1

Álbum 'Mar Azul...' reúne releituras contemporâneas do Clube da Esquina

Revelações da nova cena da MPB surpreendem ao revisitar o cancioneiro setentista de Milton Nascimento e sua turma

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 (Arte de Valf sobre CAPA DO CD CLUBE DA ESQUINA 2/FOTO DE FRANK M.STUCLIFFE/EMI-ODEON)

 
Quarenta e três anos depois do lançamento do álbum seminal do movimento que fez história na MPB, é fato: muita coisa ainda pulsa no cancioneiro do Clube da Esquina, além das tão propaladas melodia e harmonia. Prova disso é 'Mar Azul – Sons de Minas Gerais vol.1', que será disponibilizado nesta segunda na internet. Distante do desgastado formato coletânea, o projeto audiovisual traz interpretações contemporâneas para 10 clássicos de Milton Nascimento e cia., com direito a recriações dignas das canções originais.
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Aos clássicos, foi acrescentada uma pérola recente da parceria dos irmãos Márcio e Lô Borges, 'Quem sabe isso quer dizer amor'. O tributo privilegia os álbuns 'Clube da Esquina' (1972) e 'Clube da Esquina 2' (1978), mas não se limita a eles. Originalmente pensado como um documentário, o projeto acabou resultando em 11 vídeos que poderão ser conferidos .

Os áudios estarão reunidos em um álbum disponibilizado com exclusividade na web pelo selo Slap, da gravadora Som Livre. Fiel ao conceito audiovisual, cada vídeofaixa de 'Mar Azul...' é antecedida por pequeno depoimento do intérprete, justificando a escolha daquela canção. O segundo volume do projeto não é descartado pelos produtores, conforme sugere o próprio subtítulo. A única faixa em versão instrumental é 'Nascente', de Flávio Venturini e Murilo Antunes.

Aos veteranos Pedro Luís e Moska, se juntaram os novatos César Lacerda, Júlia Vargas, Silva, Maíra Freitas, Michele Leal, Lucas Arruda, Dani Black e João Bittencourt, além do grupo vocal Ordinarius. A ideia partiu de Fernando Neumayer e Luís Martino, sócios da produtora carioca Tocavideos. A dupla dirigiu os vídeos, quase todos filmados no Bituca Estúdio – com exceção de 'Reis e rainhas do maracatu', com Pedro Luís, rodado no Godofredo Bar, em Botafogo, que pertence a Gabriel Guedes, filho do compositor Beto Guedes.

Aliás, a ideia inicial era dar ao projeto o título 'Tudo que move', a partir do verso de 'Amor de índio', de Beto Guedes e Ronaldo Bastos. Essa canção acabou não entrando no repertório.

“Lendo sobre o movimento, acabei chegando àquela casa em Mar Azul, praia de Niterói onde os integrantes do Clube da Esquina passaram uma temporada antes da gravar o primeiro disco”, diz Fernando Neumayer, ao justificar o batismo definitivo do projeto.

Muito ligado ao meio audiovisual e à tecnologia, foi assim que ele chegou ao formato inovador de 'Mar Azul...' – que, em boa hora, une música e vídeo. “Talvez o projeto não surgisse há alguns anos”, admite, atribuindo a opção, que remete ao documentário, aos tempos atuais, em que o disco físico está praticamente extinto.

A informalidade do movimento mineiro, que reunia músicos e profissionais de meios variados, como o fotógrafo Cafi, é um dos aspectos que mais chamaram a atenção do produtor de 'Mar Azul...'. “Aquela coisa de muita gente no estúdio, da macarronada na casa dos Borges”, diz Neumayer. Ele se refere à residência da família de Lô e Márcio, perto da esquina das ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro belo-horizontino de Santa Tereza, de onde veio o nome do clube.

Na hora da escolha da faixa a ser gravada por cada artista, pesou a questão pessoal. “É um samba de maracatu, uma marca forte da nobreza da negritude”, afirma o cantor e compositor Pedro Luís a respeito de 'Reis e rainhas do maracatu', que ele interpreta ao violão. O carioca revela que o primeiro 'Clube da Esquina' chamou a sua atenção “pelo som gringo, no bom sentido”. “É bem gravado e bem mixado, o que faz você querer ouvir cada vez mais”, explica. Pedro conta que seus LPs 'Minas', de Milton, e 'Falso brilhante', de Elis Regina, chegaram a furar de tanto serem ouvidos.

A cantora e pianista Maíra Freitas, filha de Martinho da Vila, confessa: foi difícil escolher uma entre tantas canções do movimento musical mineiro que conquistou o mundo. Ela optou por 'Cravo e canela', que diz adorar por ser “muito percussiva e dançante”. Impressiona a releitura conferida pela carioca a esse clássico, já gravado por tantos artistas.

Por sua vez, Júlia Vargas, que optou por 'Canoa, canoa', confessa que sempre quis cantá-la. “De certa forma, a canção me transporta para a terra em que nasci, Cabo Frio”, diz a jovem intérprete, dona de timbre e presença cênica possantes. “É uma ‘responsa’ cantar uma música dessas”, admite Júlia, contando que escolheu o mesmo tom de Milton Nascimento. Não por acaso, Bituca apadrinhou a moça – tem feito shows com Júlia pelo país e a convidou para dividir o palco com ele e o rapper Criolo, em 2014.

César Lacerda optou por 'Pedras rolando', classificada por ele como “a fruição mais celestial de uma coisa muito maravilhosa”. Diamantinense radicado no Rio de Janeiro, o jovem músico se empolga: “Beto Guedes é uma pedra filosofal misteriosa. Aquela voz, aquelas letras, aquela harmonia”.

Se, por um lado, muitos optaram por gravar em companhia do próprio instrumento, outros convidaram músicos para acompanhá-los. Michele Leal, nascida em Itajubá, canta 'Paisagem da janela' ao lado do pianista Francisco Pellegrini. A intimidade com essa canção veio da época em que, criança, integrava corais da cidade do Sul de Minas. Júlia Vargas convidou o flautista Fábio Luna e o violonista Rodrigo Garcia para gravar 'Canoa, canoa' com ela.

Criadores do Clube aprovam Mar Azul

Surpreendidos com o lançamento de 'Mar Azul – Sons de Minas Gerais vol. 1', integrantes do Clube da Esquina chegaram a se emocionar com o projeto dedicado à obra de Milton Nascimento e seus parceiros.

“Estou maravilhado. Tudo cresceu no espaço e no tempo muito além de minhas expectativas. Sinceramente, não estava sabendo de mais essa iniciativa, que me emociona bastante. É um bom sinal pra gente saber que, em 43 anos de trabalho, deixou algo tanto para a nossa própria geração quanto para as novas gerações, que estão antenadas à nossa própria história”, afirma o compositor Márcio Borges, um dos principais letristas do Clube da Esquina, ao lado de Fernando Brant e Ronaldo Bastos.

De Cannes, na França, onde participa do Midem, o maior encontro mundial de empresas ligadas à música, Ronaldo Bastos desejou sucesso ao empreendimento, enquanto Borges acredita que 'Mar Azul...' tem tudo a ver com as novas propostas do mercado fonográfico.

“A indústria fonográfica deu muitos passos errados, ao contrário da TV, que investe em conteúdo”, repara Borges. “Primeiro, ela investiu no público jovem sem potencial de consumo. Depois, achou que o público era imbecil, simplificando ao máximo os conteúdos”, acrescenta.

WEB

Márcio diz que a febre atual do vinil é uma das provas do equívoco da indústria em substituí-lo pelo CD. “O vinil tem uma reprodução muito melhor”, afirma, saudando as novidades. “É bacana que projetos como 'Mar Azul...' consigam envolver a música com a tecnologia, a web. Vejo isso como solução para a crise que estamos vivendo no mercado”, conclui o parceiro de Milton Nascimento e Lô Borges nas canções 'Clube da Esquina' e 'Clube da Esquina 2'.
Ailton Magioli - EM Cultura Publicação:08/06/2015

1. Pedras rolando (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1979) - César Lacerda
2. Canoa, canoa (Nelson Ângelo e Fernando Brant, 1977) - Júlia Vargas
3. Um girassol da cor de seu cabelo (Márcio Borges e Lô Borges, 1972) - Silva
4. Reis e rainhas do maracatu (Nelson Ângelo, Novelli e Fran, 1977) - Pedro Luís
5. Cravo e canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971) - Maíra Freitas
6. Paisagem da janela (Lô Borges e Fernando Brant, 1972) - Michele Leal
7. Nada será como antes (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972) - Ordinarius
8. Fazenda (Nelson Ângelo, 1976) - Lucas Arruda
9. Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967) - Dani Black
10. Quem sabe isso quer dizer amor (Márcio Borges e Lô Borges, 2002) - Moska
11. Nascente (Flávio Venturini e Murilo Antunes, 1977) - João Bittencourt

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