Buscando reviver a histórica vocação musical da cidade de Ouro Preto
(Minas Gerais), Rufo Herrera e Ronaldo Toffolo, associados a um grupo de
instrumentistas que integravam o grupo Trilos e o Quarteto Ouro Preto,
criaram, no ano de 2000, a Orquestra Experimental da UFOP, hoje
Orquestra Ouro Preto. É formada por cerca de 20 músicos, aos quais se
associam músicos convidados, em função do repertório a ser executado.
Tem como Diretor Artístico e Regente Titular o Maestro Rodrigo Toffolo.
Uma das mais prestigiadas formações orquestrais do país, a Orquestra
Ouro Preto tem como diretor artístico e regente titular o Maestro
Rodrigo Toffolo. Premiado nacionalmente, o grupo vem se apresentando nas
principais salas de concerto do Brasil e do mundo.
Criada em 2000, a Orquestra Ouro Preto tem atuação marcada pelo
experimentalismo e ineditismo, sob os signos da excelência e da
versatilidade. Em sua trajetória, destaca-se a presença em todo o
território nacional e nas principais capitais do país, como São Paulo,
Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Manaus, Curitiba,
Porto Alegre, João Pessoa, Salvador e Natal. No exterior, sua qualidade
foi comprovada em turnês de sucesso, com presença de grande público em
apresentações na Inglaterra, Portugal, Espanha, Argentina e Bolívia.
Possui oito trabalhos registrados em CD e DVD: Latinidade (2007),
Oito Estações – Vivaldi e Piazzolla (2013), Valencianas: Alceu Valença e
Orquestra Ouro Preto (2014), Antonio Vivaldi – Concerto para Cordas
(2015), Orquestra Ouro Preto – The Beatles (2015), Latinidade: Música
para as Américas (2016), Música para Cinema (2017) e O Pequeno Príncipe
(2018). Em sua discografia destaca-se o Prêmio da Música Brasileira
2015, na categoria Melhor Álbum de MPB, a indicação ao Grammy Latino
2007, como Melhor Disco Instrumental por Latinidade, e a distribuição
mundial dos discos Latinidade – Música para as Américas e Antônio
Vivaldi – Concerto para Cordas pela gravadora Naxos, a mais importante
do mundo dedicada à música de concerto.
Com regência e direção musical do maestro Rodrigo Toffolo, produção
executiva e direção de cena de Paulo Rogério Lage, da Palco Marketing
Cultural, o espetáculo une a musicalidade da Orquestra Ouro Preto à
palavra de um dos maiores poetas e compositores mineiros: Fernando
Brant.
Quem Perguntou Por Mim revive grandes clássicos da produção poética
de Brant, obras imortalizadas pelas vozes de Milton Nascimento, Elis
Regina e de seus parceiros do Clube da Esquina, promovendo um mergulho
na alma de Minas Gerais.
O nome do espetáculo “Quem perguntou por mim” é uma alusão à canção
homônima, escrita por Brant, que numa madrugada, por telefone, consolava
um amigo em Paris das tristezas de uma separação.
Com arranjos especialmente compostos para orquestra de cordas e
banda, por Mateus Freire, canções como Travessia, Milagre dos Peixes,
Encontros e Despedidas, Canção da América e Maria Maria, entre outras
integram o repertório do CD/DVD.
“Depois de Valencianas, The Beatles e a parceria com Edu Lobo,
pensávamos em realizar um novo projeto que homenageasse Minas Gerais,
que captasse o sentimento de mineiridade na figura de um grande artista.
Fernando Brant é esse grande artista, que poetizou Minas de forma
transcendental como um compositor de sinfonias. É a força da poesia
musicada de Brant que estamos levando no espetáculo”, reflete Rodrigo
Toffolo.
Histórico
Quem Perguntou Por Mim começou a ser concebido com Fernando Brant
ainda em vida, é o que explica Paulo Rogério Lage, da Palco, produtora
do espetáculo. “Em 2014, assentados lado a lado com Tavinho Moura na
cerimônia de outorga, pela UEMG, a Milton Nascimento, do título “Doutor
Honoris Causa”, ouvíamos vários discursos, enaltecendo, com justiça a
unanimidade nacional que é Milton, sua obra e sua voz. E, como doutores
não cantam, mas falam, eram os poemas de Brant que se ouviam sem parar.
Rindo, perguntei a Brant: a homenagem é ao Milton ou a você”?
A partir desse encontro, Paulo Rogério propôs ao maestro Rodrigo
Toffolo e a Fernando Brant um espetáculo nos moldes de Valencianas –
Alceu Valença e Orquestra Ouro Preto – agora com músicas cujos poemas
fossem de Brant. Aceito o desafio, o espetáculo foi ganhando forma, mas
prematuramente interrompido pela morte do compositor. Agora, três anos
após sua partida “Quem Perguntou Por Mim” tem sua estreia, não como uma
homenagem ao poeta e amigo, Fernando Brant, mas como a materialização de
um de seus últimos desejos em vida.
ACESSE
*http://www.orquestraouropreto.com.br
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CANTO SAGRADO
"SOU DA TERRA DO OURO, DAS SERRAS AZUIS,DOS CAMPOS GERAIS, SOU DO MUNDO, SOU MINAS GERAIS"
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quarta-feira, 25 de setembro de 2019
terça-feira, 17 de setembro de 2019
EMILIO VICTTOR - ARANÃ
Mineiro de Perdões, sul do Estado, com
30 anos de carreira, morando há 25 anos em Belo Horizonte, o cantor e
compositor Emílio Victtor, viajou pelo interior do Brasil e pelo Chile
onde, em 2000 teve a experiência de realizar sua primeira turnê
internacional e cantar em 10 cidades.
Como letrista, Emílio tem parcerias com
Maurício Tizumba, Carlos Walter, Cleverson Natali, Heitor Branquinho,
Sérgio Moreira, Marcelo Taynara, Tino Gomes, Chico Lobo, Nelsinho
Bernardes e tantos outros da cena musical mineira. Com três CDs na
discografia, lançou no início de 2017 o clipe da música Nó da saudade
(Emílio Victtor/Raísa Campos/Gilmar Iria), em parceria com o grupo
Oxente Uai.
Disponível nas principais plataformas digitais.
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CANTO SAGRADO
sexta-feira, 13 de setembro de 2019
CONSUELO DE PAULA - MARYÁKORÉ
Meus caros.
É com grande satisfação que venho apresentar o novo e belíssimo trabalho de Consuelo de Paula.
De opinião pessoal eu considero a "Diva" da musica brasileira, a mais completa cantora desse Brasil.
Amo tudo que Consuelo cria, recria, molda, com sua lindíssima voz o seu canto nos transporta a lugares longínquos .
Consuelo canta e encanta.
Acesse:
https://www.facebook.com/maryakoreconsuelodepaula/
http://www.consuelodepaula.com.br
Esta disponível em todas plataformas digitais.
Distribuição Tratore.com.br
O disco
*texto extraído :http://verbenacomunicacao.blogspot.com
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CANTO SAGRADO
É com grande satisfação que venho apresentar o novo e belíssimo trabalho de Consuelo de Paula.
De opinião pessoal eu considero a "Diva" da musica brasileira, a mais completa cantora desse Brasil.
Amo tudo que Consuelo cria, recria, molda, com sua lindíssima voz o seu canto nos transporta a lugares longínquos .
Consuelo canta e encanta.
Acesse:
https://www.facebook.com/maryakoreconsuelodepaula/
http://www.consuelodepaula.com.br
Esta disponível em todas plataformas digitais.
Distribuição Tratore.com.br
O disco
A cantora e
compositora Consuelo de Paula lança
o sétimo disco da carreira, Maryákoré: uma obra provocadora naquilo que tem de
mais feminina, mais negra, mais indígena e mais reveladora de nós mesmos. O título pode ser entendido como uma nova
assinatura de Consuelo de Paula: maryá (Maria é o primeiro nome de Consuelo),
koré (flecha na língua paresi-haliti, família Aruak), oré (nós em
tupi-guarani), yakoré (nome próprio africano).
Além de assinar letras e músicas - tendo
apenas duas parcerias, uma com Déa Trancoso e outra com Rafael Altério -,
Consuelo é responsável pela direção, pelos arranjos, por todos os violões e por
algumas percussões de Maryákoré (caixa
do divino, cincerro, unhas de lhama, entre outros). A harmonia entre Consuelo e
sua música, sua poesia, sua expressão e a estética apresentada é nítida nesse
CD. Ao interpretar letras carregadas de imagens e sensações, ao dedilhar os
ritmos que passam por Minas Gerais e pelos sons dos diversos “brasis”, notamos
a artista imersa em sua história: ela traz a vida e a arte integrada às
canções.
Segundo
Consuelo, desde o nome, o trabalho “traduz uma arte guerreira e amorosa, que se
alimenta da força dos ventos, das brisas e das tempestades; nasceu entre o dia
e a noite, entre a cidade e as matas, entre raios e trovões”. Essas energias,
movimentos e gestos de amor e de luta, estão condensados nas músicas, nos
arranjos e na voz da cantora e compositora, de modo a reafirmar a fisionomia
vigorosa de uma artista inquieta, de expressividade singular e força criativa
que se renova a cada trabalho.
O violão é seu instrumento de composição que,
nesse trabalho, revela-se também, de maneira ousada e criativa, como parte de
seu corpo; e como koré provoca
as composições ao mesmo tempo em que comanda e orienta os ritmos que dão
originalidade à obra. Consuelo gravou juntos o violão e a voz, ao vivo, no
estúdio Dançapé do músico Mário Gil, transpondo para o disco a naturalidade e a
energia original das canções. Um desafio que pode ser conferido em cada uma das
dez faixas: ora o violão silencia as cordas para servir de tambor, ora se
ausenta para deixar fluir a voz à capela; em outros momentos as cordas produzem
somente um pizzicato para acompanhar o movimento da melodia; e, às vezes,
soa como percussão e instrumento harmônico. Tudo ao mesmo tempo.
Além do violão, um piano e vários
instrumentos percussivos compõem a sonoridade de Maryákoré. Consuelo conta com o percussionista Carlinhos
Ferreira para produzir paisagens e novos sons com instrumentos criados por ele, como goopchandra com arco,
flautas de tubos, rabeca de lata, tambor de mar, gungas de sementes e outros. O
piano de Guilherme Ribeiro enriquece esse cenário ao fazer destacar na obra,
utilizando suavidade e desenhos sonoros, os contrastes imaginados por Consuelo.
O CD é apresentado em dois movimentos. Da
mesma maneira que assistimos a um bom filme, acompanhar o roteiro de Maryákoré
é uma experiência surpreendente. “São gestos, ventos que impulsionam ciclos,
são lutas internas e externas que foram trazendo o disco e apontando o rumo das
canções”, revela Consuelo. Maryákoré é uma guerreira em meio às batalhas
cotidianas pela vida e pela arte, é uma obra-síntese da dedicação da artista, de
sua fina sensibilidade musical, poética e social. É a voz de Consuelo de Paula
frente aos desafios dos nossos tempos.
O primeiro movimento começa com “Ventoyá” (poesia de Déa Trancoso, que
Consuelo musicou logo na primeira leitura). Consuelo abre o disco batucando no
violão, trazendo um clima de ventos e tempestades que anunciam uma nova
estação. Na sequência ouvimos o piano, o violão e a percussão que revelam a nova
textura sonora, feita para a canção “Andamento”. Consuelo a compôs quando viu um
instrumento feito por índios brasileiros (pau de chuva) e se lembrou de um
verso do terno dos marinheiros de sua cidade natal (Pratápolis, MG): “eu vou,
eu vou remando contra a maré”. Aqui ela cita também um verso do poeta Paulo
Nunes (“o uivo perdido no meio da floresta, passados mil anos, virou esse canto”)
e acrescenta: “um grito que a noite me empresta / um fado cigano / um índio, um
banto / na voz que me resta / que por uma fresta / vazou nesse canto”. É clara
a poesia contrastante da artista que traduz a comoção pelo belo. E o trio de aberturas se faz com a
próxima canção: “Chamamento”- em um
clima de capoeira que Consuelo realiza com o seu toque de violão-berimbau. A
cantora criou um arranjo crescente, um a um os instrumentos entram - flauta de
tubos, violão, piano, rabeca de lata (criada por Carlinhos Ferreira), caxixis,
unhas de lhama (instrumento indígena e andino), triângulo, pandeiro e caixa do
divino. É um grito de guerra, uma
convocação: “vai chamar meu povo / o pajé, o capoeira / as senhoras, as
meninas / ... / vai chamar o sol mais quente / a lua cheia, a ventania, o
trovão fora de hora / o raio e a nossa alegria / ... /”.
Com seu violão harmônico e percussivo,
Consuelo traz na quarta faixa a canção homônima ao CD, “Maryákoré”: “Sou
a fumaça que sobe na mata na hora mais quente / a fogueira no quintal da minha
gente / sou maryákoré, katxerê, marielle da maré / sou a lua, a luta e os
nossos olhos brilhando horizontes”. E no final Consuelo cria um outro ambiente
no qual cita Tom Jobim (“deixe o índio vivo”) e um ponto de candomblé. A canção
“Separação” encerra o primeiro
movimento. É a música da ausência, do silêncio. O violão em pizzicato é
perfeito para o sentimento que a canção nos causa. “Esse é um poema meu, que
redescobri durante o processo do disco, e musiquei”, conta Consuelo.
Abrindo o segundo movimento de Maryákoré, “Caminho de Volta” traz Consuelo cantando à capela, anunciando um recomeço
com um canto limpo e forte: “avistei grande búfalo do oriente / travessei o mar
/ ... / morte não vai me matar / longe do meu lugar”. É um moçambique, ritmo
afro-mineiro (compasso em seis por oito) de forte presença nas origens da
música de Consuelo de Paula. O álbum segue com “Arvoredo” que traz o clima das paisagens mineiras: “minha casa é
madeira, tronco, galho e raiz / minha casa é cordilheira / fiz pra gente ser
feliz / ... /”. E aqui ela constrói ‘nossa casa’ ao lado de várias tribos (kariris,
puris, guaranis, kiriris). Essa é mais uma composição na qual mostra sua forma
particular de respirar, cantar e tocar ritmos, que quando ouvimos já sabemos
que se trata de Consuelo de Paula. “Os
Movimentos do Amor” é um samba de Consuelo tocado
com caixa de congo e berimbau. Traz uma harmonia rica que passa pela sonoridade
mineira mais urbana. Na abertura, um poema dela entre notas suaves de piano e
berimbau: “o amor é o som do seu nome / o rastro que fica quando você some / a
alga verde que o mar come entre brancas ondas / pra depois matar a fome do
peixe e do homem”.
A nona faixa, “Remando Contra a Maré” (melodia de Rafael Altério, letrada por
Consuelo), conversa com a segunda abertura do CD - “Andamento” - por meio do canto dos congadeiros: “eu vou, eu vou
remando contra a maré” (aqui apresentado no final da canção). Impossível não se
emocionar com essa bela toada. “Saudação”
encerra o segundo movimento do CD
e traz, ao mesmo tempo, a despedida e a abertura para um recomeço: “Vou
saudar a gira do tempo / ogunhê meu pai / vou cantar despedida / ... / e com o olhar cruzado no teu / abrirei
caminho / noite afora, noite adentro / até que o sol retorne da casa de Lia /
com o cheiro da terra que nossos olhos não alcançam / com aromas de um novo
dia”. E, conversando com a terceira faixa de abertura do CD - “Chamamento” - Maryákoré
termina com o contagiante violão percussivo de Consuelo de Paula, como uma
energia que nos visita, como um ciclo que se fecha e se abre no tempo.*texto extraído :http://verbenacomunicacao.blogspot.com
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CANTO SAGRADO
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
MAKELY KA E MAISA MOURA - DANAIDE
Danaide é o casamento poético, musical e pessoal do poeta e compositor
Makely Ka e da cantora e antropóloga Maísa Moura. Os arranjos dispensam
qualquer elemento supérfluo e enfeites musicais. Apenas as cordas
costuram os retalhos poético-musicais que se combinam construindo um
mosaico de referências que apontam para várias direções.
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CANTO SAGRADO
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CANTO SAGRADO
domingo, 25 de agosto de 2019
MAÍSA MOURA - MOIRA
O CD de estreia da cantora mineira Maísa Moura é um dos trabalhos mais interessantes do mercado fonográfico atual. Além da voz de timbre raro, com coloração escura e expressão delicada, os arranjos sofisticados, quase sempre enxutos (por vezes até minimalistas) e o bom gosto que exala como um todo, o repertório consegue captar os lastros da decantação de uma tradição secular que herdamos da península ibérica e fincou raízes no nordeste brasileiro. Para além da instrumentação, que mescla rabeca e violoncelo, sanfona e pandeiro, viola caipira e guitarra portuguesa, sitar indiano, saz turco e ronroco andino, os ecos dos árabes e bérberes que dominaram a Península Ibérica por oito séculos se faz sentir nas melodias modais, no acento rítmico das palavras, no lirismo agreste das letras.
O deserto percorre todo o disco, seja em arranjos que evocam a ação contínua dos ventos como em “Seu Avô”, seja na própria temática de canções como “Casa de Areia”, que descreve a ação inexorável do tempo e das forças naturais numa paisagem desolada. A solidão (Sombra, Terra Estrangeira, Extravio, Casa de Areia), a loucura (Canção do Lobisomem, Cego com Cego, Mortal Loucura), os rituais de passagem (Solstício de Inverno, Moçambique) assim como os pequenos prazeres e as belezas mais recônditas (O Pidido, O amor de Dentro, Ímpar ou Ímpar) insurgem com uma força arrebatadora que nos coloca diante do imponderável da vida. Cada nota soa como cristais de areia e sal que atravessaram o atlântico em correntes de ventos marítimos e formaram aqui paisagens sonoras inusitadas.
Por outro lado, consciente de que a influência moura aqui deste lado se fez presente por apropriação e justaposição constante de elementos da cultura árabe com a cultura negra, indígena e européia branca, através de fusões melódicas, rítmicas e instrumentais, o disco não se prende a um estilo ou gênero específico que possa dar ao trabalho o caráter de música árabe ou oriental, por assim dizer. Pelo contrário, o que se dá é um diálogo profundo com a melhor tradição da música brasileira e isso, por si só, explica e justifica seu ecletismo e sua profusão de referências implícitas. O tempero mourisco, por sua vez, surge amalgamando a multiplicidade nos pequenos detalhes, nos intervalos de tons audíveis apenas para os ouvidos treinados, nas escalas nordestinas que pontuam uma e outra melodia, nos silêncios suaves e nas respirações suspensas. Apesar de incontestável, a herança ibérica é sutil, às vezes subliminar, tornando a audição uma verdadeira aventura através do tempo e do espaço sonoro. E não é por acaso que o disco remete ainda aos gregos, a começar pelo próprio nome. Afinal, foram os árabes que re-introduziram a cultura grega na Europa medieval cristã.
O tecido fino dessa Moira interliga conceitos e ideias esquecidos no baú de nossa memória ancestral. O fio da tradição oral se torna por isso um guia imprescindível para nos orientarmos na travessia desse labirinto implacável de sons e sentidos. Não será surpresa tampouco se Cloto fiar essa linha de Ariadne na roca contemporânea que engendra a rede mundial conectada por fibras óticas. Nas mãos das Parcas as tessituras da vida se entrelaçam para determinar nosso destino. Maísa é uma fiandeira de sons e não há como passar imune aos seus sortilégios. A não ser que você tenha cera nos ouvidos!
*texto extraído http://lojamusicaquevemdeminas.blogspot.com/
Recomendadíssimo !!!!!!!
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CANTO SAGRADO
terça-feira, 20 de agosto de 2019
LOS KACTUS - MARIA FUMAÇA
A
banda é composta por: Anderson Guimarães ( voz, flauta e percursões),
Edimar Lima (voz e violão), Hudson Martins (baixo), Julio Slayer
(bateria), Leandro Trombini (guitarra e voz) e Pérsio Granato
(guitarra). Músicos com influências musicais diversas que resultou em uma fusão muito singular de seu estilo. É verdade que a Los Kactus
é uma banda de rock, mas também é verdade que sua música apresenta
elementos como Baião, Samba, Maracatu, tudo isso em seu devido lugar.
Acesse: https://www.facebook.com/loskactuspagina
spotify / deezer / you tube
Detalhe para musica "Aquela Cançaõ"
Excelente !!!
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CANTO SAGRADO
segunda-feira, 19 de agosto de 2019
LÉO NASCIMENTO - UM BREVE ADEUS A SOLIDÃO
Antes de ser a nova capital, Belo Horizonte era um grande vale entre serras onde se imaginou uma cidade planejada que embalava sonhos de modernização e industrialização. O projeto lembrava um tabuleiro de xadrez, em tudo diferente das curvas sinuosas e meio labirínticas das cidades coloniais mineiras.
Por muito tempo, BH foi conhecida como “a cidade das esquinas” e foi em seus inúmeros cruzamentos entre ruas e avenidas que se desenvolveu uma cultura do encontro, tão bem atualizada na consideração de que esta é “a capital nacional dos botecos”.
Vivendo em BH desde 2005, quando veio para estudar Filosofia, Leo Assunção tem sua carreira marcada pelos encontros. Filho de Bom Despacho, cidade de 50 mil habitantes a 150 km da capital, Leo trouxe consigo um violão e uma relação com o instrumento que vem da infância, quando começou a tocar. Aos 18 anos encontrou em Belo Horizonte um ambiente mais adequado para se desenvolver como artista, conheceu pessoas que o ajudaram nessa caminhada e abraçou as oportunidades que apareceram.
Morar na capital representou, antes de tudo, um alívio. O interior de Minas está presente no espírito dessa cidade, mas viver aqui permite um distanciamento que revela uma matriz muito conservadora. BH não se liberta disso, mas é o meio do caminho, parada quase obrigatória, ponto de ressignificação da vida interiorana. Assunção estudou, cresceu e virou artista, mas ainda preserva o sotaque, um sentimento de desconfiança em relação a tudo e a vontade de sempre estar em outro lugar.
Leo foi um dos fundadores do Projeto Saravá, coletivo de músicos que se debruçou sobre um caldeirão que misturava o trabalho autoral de seus membros e a releitura de clássicos como Pixinguinha, Waldir Azevedo, Jackson do Pandeiro, Tom Zé e Cartola.
No radar do grupo estavam samba, afoxé, embolada, frevo, baião e maracatu, além de muitas outras referências que compunham essa teia rica e abrangente. O saldo dessa experiência foi desfazer cada um desses rótulos em prol de uma síntese da música brasileira, pensada enquanto música universal. O processo de re-atar as pontas entre o que motiva a composição e a música, para além dos gêneros e para além da nacionalidade, desfaz a necessidade e a validade dos rótulos:
“O Hermeto Pascoal classifica a música dele como ‘música universal’. Partindo do pressuposto de que a composição está intimamente ligada ao que estamos ouvindo e que hoje em dia é fácil ter acesso a uma infinidade de músicas de diferentes culturas e de diferentes épocas, é possível que minha música tenha influência de povos sobre os quais não sei nada. A gente tem necessidade de dar nome às coisas, classificar, dividir em categorias, comparar. Acredito que, ao negar o rótulo, o músico quer dizer que a música é tão poderosa que ela não cabe nisso”É aí que Assunção firmou o seu pé, amarrado ao seu violão, passeando nas avenidas abertas pela música brasileira. De cada esquina ele trouxe um elemento: do Projeto Saravá ficou a multiplicidade dos interesses, da Filosofia vem o olhar metódico e a organização das ideias, da experiência de cantar nos botecos ele mantém o prazer na relação com o público, e da vivência como professor de violão guarda a curiosidade de continuar estudando e aprendendo. Tudo isso é o que se vê no seu primeiro álbum, que acaba de ser lançado.
Um breve adeus à solidão
Esse é o título do álbum que reúne as composições e as experiências de toda essa trajetória. Tentando definir em uma frase, Leo diz que o álbum é “uma subida à superfície para respirar”. Em todos os rascunhos de explicação aparece uma tensão entre o adeus – definitivo, solene e pesado – e a brevidade que torna tudo mais leve, entre a densidade da falta de ar e a sensação de alívio ao chegar à superfície.Seu álbum de estreia parece um reflexo da maneira como ele conjuga razão e sensibilidade, dialogando com as facetas mais luminosas da MPB e com uma melancolia que lembra a origem do samba e os versos de Vinicius de Moraes: “Porque o samba é a tristeza que balança / E a tristeza tem sempre uma esperança / De um dia não ser mais triste, não”.
Uma das faixas do álbum faz homenagem ao grande Belchior, composta quando ele ainda era vivo e se refugiava da vida que queriam que ele vivesse. “Carta para Belchior” se vale de versos do compositor cearense para dizer a ele que fique bem, e faça da sua vida o que quiser. Nas outras faixas, o cotidiano segue seu fluxo entre idas e vindas, chegadas e partidas, reflexões a respeito do tempo e da distância do mar. Sobre o que motiva e orienta sua relação com a música, Leo responde com mais arte:
“Entre o que vou fazendo você perceber, o que quero ser e o que sou, não há abismos… nem profundo é. Eu mesmo nem consegui abrir as cortinas contidas nas entrelinhas que apenas tentam revelar o que eu queria ser parafraseando a querida metáfora que me dói:Se você encontrar o Leo tocando por aí, logo nos primeiros acordes e nas primeiras frases você vai perceber que se trata de um mineiro, fazendo música brasileira, mas que o que anima a proposta é a sensação de que uma esquina é uma esquina em qualquer parte, ela sempre abre a possibilidade de novos encontros. Nas entrelinhas do que ele faz parece ter o eco da turma de compositores, também mineiros e também famosos por conta das esquinas e dos encontros, dizendo: “Sou do mundo, sou Minas Gerais”.
– Como ser a pedra e o sapato se a estrada não dá pé?
É o que acontece quando se coloca um espelho na frente do outro… tem um infinito no meu banheiro”
*texto extraído - https://invasoesbarbaras.com.br
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Poderá também acessar no spotify you tube faceboock e deezer
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