O compositor, instrumentista e cantor Hugo Branquinho lançou embrião, seu primeiro CD. É um trabalho autoral independente (
www.soleiraproducoes.com)
no qual gravou onze canções: três só dele; seis com Thales Mendonça –
sendo que uma delas tem na parceria Heitor Branquinho (irmão de Hugo e
coprodutor do álbum) –, uma com Enrique Aue e outra com Rafael Guerche.
Branquinho
fez de seu disco um diário de bordo. Como letrista, seus sonhos e
ideais musicais latejam em cada verso, expondo sua intimidade com a
clareza de um azul outonal nos céus da sua Três Pontas, nas Minas
Gerais. Para expressá-los, vale-se de seu maior trunfo: o timbre de sua
voz, que quase se equivale ao de uma voz feminina. Tão belo é o seu, que
surpreende pela estabilidade dada às notas.
Sua afinação
mostra um intérprete privilegiado. Se ele já canta assim agora... dá
gosto imaginar que sua voz ainda poderá se polir e amadurecer. Até onde
pode ir o cantar de Hugo Branquinho? Meu Deus!
Suas canções
são tranquilas, sossegadas, transmitindo uma paz que vem das montanhas
de Minas e da forma mineira de se declarar a alguém ou a alguma coisa.
Assim acontece principalmente em suas parcerias com Thales Mendonça, que
de todos é o que mais se identifica com o universo da personalidade de
Hugo (ainda que entre os seus parceiros esteja seu irmão Heitor) e nela
mergulha com a necessária delicadeza.
A irmandade mineira
floresce em embrião, manifestando-se na participação afetuosa e
comovente de Milton Nascimento. Ele canta “Antônio” (Hugo Branquinho),
música feita por Hugo para seu filho. Com um olhar tão expressivo quanto
cativante, uma foto do menininho floresce em duas páginas do encarte.
Milton se entrega amorosamente à interpretação. Em duo com Branquinho,
faz um breve cânone nos versos que chamam pelo que vai nascer: Venha,
Antônio/ Pois colo não vai faltar/ Venha, Antônio/ Que dengo vai até
sobrar. Com o andamento agora acelerado, contrastando com a maciez do
início, os dois se dão a vocalizes e levam a canção ao final.
Outra
bela faixa é a que tem os irmãos Hugo e Heitor juntos, cantando
“Aguar”, a parceria deles com Thales Mendonça. Violão (Heitor
Branquinho) e bandolim (Deni Domenico) conduzem a melodia. A percussão
(Emílio Martins) capricha na levada. Hugo e Heitor cantam juntos: Me
apego tão facilmente/ Se sinto leveza no ar/ Para que se brote a
semente/ Também é preciso aguar.
No disco, sem se prender a
gênero musical específico, Hugo Branquinho escolheu um repertório que
bem lhe canta o jeitão. Para tocá-lo, além dos que já foram citados, tem
Thiago “Big” Rabello (bateria), Débora Gurgel (piano e teclado), Heitor
Branquinho (contrabaixo e violões), Raul Coutinho (guitarra e viola) e
Willian dos Santos (acordeom). Esta formação instrumental, seca,
desempanada, lembra em tudo a desafetação das tradições das Gerais.
E assim nasce mais um promissor compositor/cantor vindo de uma terra que exala música pela alma: Minas Gerais.
(jornal o povo)
Se vc gostou compre o original valorize a obra do artista.
Excelente !!!
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CANTO SAGRADO