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segunda-feira, 7 de abril de 2014

DOROTY MARQUES

Doroty Marques é musicista e arte educadora desde a década de 60. Irmã do mestre Dercio Marques.Atuou em vários estados brasileiros desenvolvendo projetos de arte educação com crianças carentes. Entre os anos de 1962 e 1964 morou no Uruguai. No estado de São Paulo, ajudou a criar a Secretaria do Bem Estar do Menor e, através dela, se empenhou em erradicar a violência contra menores infratores da Fundação Estadual do Bem Estar do Menor (FEBEM).
Foi convidada especial da Eco-92, realizada no Rio de Janeiro, em 1992, e chegou a ganhar um Prêmio da Organização das Nações Unidas (ONU) por seu trabalho com crianças. Também em São Paulo, criou uma escola de arte e cultura no município de São José dos Campos, adquirindo 12 alqueires de terra para trabalhos com crianças carentes da periferia da cidade.
Quando criança, durante o tempo que morou no Rio de Janeiro, Doroty saía do subúrbio carioca para apresentar-se em programas infantis de calouros como Clube do Guri e Vovô Odilon. Mais tarde, viajou pelo Brasil até chegar ao Uruguai. Apresentou-se durante algum tempo em casas noturnas de São Paulo. E, depois de afastar-se da carreira artística no começo da década de 1970, voltou a apresentar-se com o irmão Dércio Marques.
Ao ser vista pelo pesquisador e produtor Marcus Pereira em show com o irmão no Teatro Pixinguinha, na capital paulista, recebeu o convite para gravar seu primeiro disco. Lançou, então, em 1978, o LP Semente, que contou com a participação dos músicos João de Castro no violão; Dércio Marques no violão e requinta; Claudio Beltrani no baixo; e Altamir, Waldemar, Ruy Sergio, Alexandre Ramirez, Eduardo Szwec e Ézio nas violas e violinos.
Na contra capa do LP, Marcus Pereira fez a seguinte declaração: "Doroty Marques, muito tempo depois de se iniciar no seu ofício de cantar, grava seu primeiro disco. Ouvi-a, pela primeira vez, cantando e acompanhando seu irmão Dércio Marques num espetáculo apresentado no Teatro Pixinguinha, em São Paulo. Ao fim de cada número, o público explodia, coeso e unânime, num aplauso compacto e longo que marca os momentos incomuns de verdadeira comunicação entre o artista e o público. O espetáculo, analisado convencionalmente, era pobre. Mas, era riquíssimo na dimensão do talento, da voz, da emoção e do violão de Dércio Marques. E do talento, da voz, da emoção e do bumbo de Doroty Marques. [...]".
Em 1980, a artista lançou, também pelo selo Marcus Pereira, o LP Erva Cidreira. Em 1983, participou do LP Fulejo, lançado por seu irmão Dércio, pela gravadora Copacabana. Em 1985, lançou de forma independente, em conjunto com Dércio Marques, o LP Criança Faz Arte - Dércio Marques e Doroty Marques, que contou com a participação de 5.000 crianças de Penápolis, no interior de São Paulo, e que foi a trilha sonora da peça Vaqueiro e o Bicho Froxo, de sua autoria, em parceria com Beto Lima e Beto Andreta. O espetáculo foi encenado, com adaptações, pelas crianças do projeto Turma Que Faz, na décima edição do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, em 2010.
Em 1996, lançou, também com Dércio Marques, o LP Monjolear - Dércio Marques e Doroty Marques e A Escola da Criança - Espaço de Adolescer. Em 1997, gravou o LP Paraíba Encantos, com 800 crianças do Vale do Paraíba, cantando a história do Rio Paraíba. Em 1998, gravou o LP Espelho d'Água, com os filhos dos funcionários da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), empresa que patrocinou o projeto. Em 2000, lançou, de forma independente, juntamente com Daniela Lasalvia, Dércio Marques e Luiz Perequê, o CD Cantos da Mata Atlântica. O disco contou com a participação de 500 crianças dos Colégios Maristas de São Paulo e Santos. No mesmo ano, lançou, também de forma independente, o CD Paraíba Vivo, que fez parte de um projeto em defesa do Rio Paraíba do Sul.
No Serviço Social do Comércio (Sesc), em São Paulo, fez uma opereta contando a história do bairro de Itaquera com aproximadamente 200 crianças carentes da região. O espetáculo foi apresentado no Sesc do bairro, para mais de 2.000 crianças. A partir daí, Doroty passou a se dedicar menos aos discos e shows e mais aos trabalhos de arte educação. Por conta disso, montou diversas operetas populares. Um de seus trabalhos mais destacados foi o projeto Cadê meu rio que estava aqui?, que envolveu todas as escolas públicas da região de Penápolis no trabalho de criação coletiva da opereta, além de estudos e pesquisas sobre o meio ambiente. Por conta do projeto, que foi financiado pelo Itaú Cultural, foi feito o replantio da mata nativa dos arredores da cidade e plantio de 5.000 mudas de árvores frutíferas nos quintais das casas.
Acreditando na arte como mola importante para uma educação mais humanística e visando a formação do ser humano consciente e do cidadão crítico, Doroty vem desenvolvendo seu trabalho, ao longo de 30 anos, em escolas de comunidades carentes, por quase todo o país. Ela trabalhou durante 25 anos dentro das maiores favelas do Rio, São Paulo e Belo Horizonte e na região amazônica. Desde 2003, vive na Vila de São Jorge, na Chapada dos Veadeiros, onde coordena o projeto Turma Que Faz, voltado para crianças e famílias da região. Entre os vários produtos de seus trabalhos, a artista escreveu duas cartilhas e gravou oito discos; além de formar diversos professores multiplicadores de seu trabalho e de seu método.Ainda em 2009 grava com seu irmão Dercio Marques "criunaná".

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Doroty Marques

[1979] Semente
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[1980] Erva Cidreira
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[1985] Criança Faz Arte
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[2009] Criunaná
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domingo, 6 de abril de 2014

VIVA VIOLA - 60 CORDAS EM MOVIMENTO

O CD Viva viola é um importante documento para a história da viola caipira, neste quase final da primeira década do século XXI. Testemunho de que, contra todas as predições, ainda são possíveis a poesia e a música, a amizade e a esperança. Por isto, é possível resistir. Continuar cantando e se educando, pela magia da pedra, pela sonoridade poética da viola caipira.

Viva viola - 60 Cordas em movimento

Lançado com grande sucesso em outubro de 2008, no Teatro Alterosa, em Belo Horizonte. O projeto reúne os violeiros Bilora, Chico Lobo, Gustavo Guimarães, Joaci Ornelas, Pereira da Viola e Wilson Dias, compositores e intérpretes da autêntica música de viola.

Símbolo do coletivo, do mutirão, este projeto encadeia-se no processo de legitimação da viola caipira como marca da diversidade cultural brasileira. O espetáculo VivaViola é, de certa forma, uma referência aos sertões de minas, através de canções que refletem as vivências afetivo-sensorial deste grupo de cantadores comprometidos com a realidade social e os valores da cultura brasileira.

O “Viva Viola” apresenta o universo da viola caipira em vista a sua importância e seu ressurgimento como expressão artístico-cultural. Revigora a existência de uma coletividade em torno da tradição, no âmbito da música mineira e brasileira.

Em matéria no dia 24 de outubro de 2008, em O Tempo, o jornalista Daniel Barbosa refere-se ao espetáculo como “Uma verdadeira esquadra da música de raiz (...) mutirão que lotou o teatro Alterosa durante três dias”.

O jornalista César Macedo, especial para o Hoje em Dia, 9 de novembro de 2008, na matéria “A hora da Viola” faz alusão a capacidade deste instrumento de reunir pessoas, de sensibilizar mentes e corações pela a força do seu sotaque ao mesmo tempo mágico e realista, pelas suas inúmeras possibilidades sonoras e melódicas.

De acordo com repórter Eduardo Tristão Girão, Jornal Estado Minas, 24 de outubro de 2008, o espetáculo definiu-se como “Seis Violeiros mineiros de ferentes origens e formação se encontram para provar que a viola tocada em minas está viva, pulsante; (...) mostrando o bom panorama da produção atual para o instrumento, sem deixar de lado tradição como cantigas rodas e folias de reis”.

Os artistas, cada qual com suas particularidades e estilos, naturais de diferentes lugares de Minas, apresentam músicas que retratam as influências dos lugares de onde vieram, em genuínas formas de expressão, como modas, batuques e toadas.

Os violeiros

Fiel às suas origens, o violeiro Bilora – um dos mais premiados violeiros do Brasil – faz questão de ressaltar que “a viola representa a cultura popular brasileira do interior. Está presente na alma desse povo e tem cheiro de mato. O concerto é uma festa da música semeando o belo som da viola”.

Chico Lobo – um dos mais ativos violeiros do cenário nacional e internacional, idealizador e apresentador, desde 2003, do Programa de TV Viola Brasil, especial veículo de divulgação da viola em Minas Gerais além do programa O Canto da Viola veiculado pela Rádio Inconfidência -, ressalta a importância deste projeto: “É sempre bom juntar minha viola com a dos companheiros. A viola é de festa, é de mutirão, é de coletividade. Sendo assim, se uma viola já é bonita, imagina quando muitas se juntam numa cantoria certeira”.

Para Gustavo Guimarães – um dos legítimos representantes da nova geração da viola –, o concerto tem um significado especial por ser este um momento de afirmação e ascensão da viola. “É importante ressaltar também os princípios que giram em torno da música de viola, como a defesa de valores éticos, morais, culturais e espirituais”, aponta.

Joaci Ornelas tem seu trabalho ligado à viola caipira, como tradução musical desde o estilo renascentista, barroco, até os batuques e composições próprias. Ele afirma que este espetáculo tem dupla importância: pessoal e artística. “Primeiro, me coloca em contato direto com o trabalho musical de outros artistas. Segundo porque favorece uma troca de informações, sentimentos, experiências com artistas que acreditam numa vida mais justa e bela”. Além de músico, Joaci Ornelas desenvolve projetos de registros e produções culturais, recentemente produziu em cd o canto do Congado de Bom Jesus de Matozinhos e foi um dos responsáveis pela realização do I Seminário Nacional de Viola Caipira (evento que reuniu, em Belo Horizonte, em 2008, Mestres da Cultura Popular, pesquisadores alem dos principais violeiros do país).

Pereira da Viola, um dos artistas mais reconhecido de Minas e do Brasil, presidente da Associação Nacional dos Violeiros (ANVB), situa o concerto VivaViola no contexto do movimento nacional em torno deste instrumento. Ele afirma que, “Em Minas, sempre nos deparamos com um certo vazio, se comparado a São Paulo e até mesmo outros estados, no processo de identificação, estruturação e expansão deste movimento musical. Compreendo que este momento é profundamente oportuno, para esta ação coletiva que estamos desenvolvendo”.

A opinião de Wilson Dias – que tem direcionando sua carreira para o encontro entre a tradição e o urbano, com um viés especial para a cultura popular –, reforça poeticamente essa idéia da valorização da música de viola caipira, que vem crescendo a cada dia. Para ele, “cabe a todos nós o trabalho de manter enlaçados os fios que nos ligam, de maneira que a nossa rede de vida permaneça ‘redeviva’, em permanente frescor construtivo”.


01- Folia de chegada (Fragmentos) - 6:24 - Dom. público
02- A voz do rio - 4:55 - Gustavo Guimarães
03- Toada do amor - 4:22 - Bilora
04- Pois sim pois não - 2:52 - Pereira da Viola / João Evangelista Rodrigues
05- Canção de Siruiz - 4:46 - Wilson Dias (Dom. público registrado por Guimarães Rosa em Grande Sertão Veredas)
06- Boi de Santana - 4:35 - Gustavo Guimarães
07- Coqueiro vai - 3:17 - Dom. público - adaptação: Josino Medina
08- Catira - 3:17 - Chico Lobo
09- Brasil festeiro - 4:50 - Wilson Dias / João Evangelista Rodrigues
10- Calango na cidade - 4:01 - Bilora
11- Moda de violeiro - 2:15 - Joaci Ornelas / João Evangelista Rodrigues
12- No braço dessa viola - 3:30 - Chico Lobo
13- Menina flor - 3:54 - Pereira da Viola / Josino Medina
14- Batuque de despedida/Té logo meus companheiros - (Fragmentos) - 4:53 Dom. público




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sábado, 5 de abril de 2014

PEREIRA DA VIOLA - AKPALÔ - 2008

Pereira lança o seu quinto álbum, batizado “Akpalô” que, em nagô “contador de histórias, aquele que guarda e transmite a memória do seu povo”. Com uma sonoridade surpreendente Pereira traduz toda influencia da cultura herdada dos antepassados, um verdadeiro resgate das origens afro-indígenas que formam a identidade mineira e mais precisamente do Vale do Mucuri, norte de Minas Gerais.

Com uma simplicidade sofisticada e elegante pereira nos leva suavemente por caminhos inusitados no que se refere à poesia e melodia numa das mais belas traduções sonoras das tradições e manifestações do norte de minas.

Akpalô um divisor de águas na trajetória de Pereira, pois nos faz sentir mais brasileiros do que nunca identificado com o povo simples do interior de onde todos têm origem este trabalho não deixa duvida sobre a imensa riqueza de nossas raízes culturais e o talento impar do povo brasileiro um verdadeiro tratado caipira Akpalô poderia ser considerado a carteira de identidade do povo brasileiro.

Porta-voz de sua região pereira reuniu um repertorio rico e ainda por cima carregado de outras influencia sonoras uma espécie de dialogo com o blues, MPB, inclusive a musica clássica entra nesta conversa afinada resultando em um belíssimo resultado que nos leva a trilhar ao encontro de nossas raízes.

Dirigido e arranjado por André Siqueira, com as participações especiais de Tambolelê, Titane, Celso Moretti, Rubinho do Vale, Gabriel Guedes, Dércio Marques e Lígia Jacques, tai é só conferir e saborear este quitute sonoro, pois tem cheiro, sabor e as cores do povo brasileiro Pereira da Viola libertando a musica caipira.

“Não quero romper com nenhum universo, mas também não quero ser refém de nenhum. Não vim aqui para ficar repetindo ninguém, nem a mim mesmo”. Pereira da Viola
*extraído a musica que vem de minas

Faixas
01 - Brasil Nome de Vegetal ( Celso Adolfo )
02 - Akpalô ( Pereira da Viola/ J. Medrado Cantão )
03 - Folia dos Pretos ( Luiz Theodoro/ Henrique Gomes )
04 - Tá no Tombo ( Pereira da Viola/ João Evangelista Rodrigues )
05 - Mestre Diola ( Gonzaga Medeiros )
06 - Canção Guarani ( J. Medrado Cantão/ Wagner dos Santos )
07 - Viola in Blues ( Pereira da Viola/ João Evangelista Rodrigues )
08 - Folia de Reis " Nas Lonjuras desta terra " ( Rubinho do Vale )
09 - Trem da História ( Rubinho do Vale )
10 - Viola de Festa ( Tavinho Moura/ Pereira da Viola )
11 - Voltado Inteiro " Na lagoa que tem léo " ( Domínio Público )
12 - Viola Cósmica ( Pereira da Viola/ Gildes Bezerra )
13 - Pau de Atiradeira ( Papalo Monteiro )
14 - Louvação ( Levi Ramiro )
15 - Beija Mar " Riacho de Areia" (Domínio Público do Vale do jequitinhonha )
16 - Batucongo ( Domínio Público )

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sexta-feira, 4 de abril de 2014

PEREIRA DA VIOLA - VIOLA ÉTICA



"Entre 85 e86 a viola passou a fazer parte da minha vida. Eu sentei no jardim do centro da cidade de Serra dos Aimorés, que é pequenininha. O jardim é gostoso, tinha um banquinho, e eu sentei com a viola. Quando percebi estava tocando Tristeza de Jeca. Foi a primeira música que toquei na viola." 
Pereira da Viola
No dia 16 de agosto de 1962, nasceu em São Julião, pequena comunidade rural do Vale do Murici, norte de Minas Gerais, José Rodrigues Pereira, o Pereira da Viola. Décimo primeiro dos treze filhos de João Preto (José Rodrigues Pereira) e Mãe Augusta (Augusta dos Santos Pereira), Pereira era conhecido em sua família pelo apelido de Zezinho ou Zé Nosso (pois tinha muitos “Josés” na região).
Em sua infância era um menino tímido e, segundo a mãe, chorão. O ambiente em que cresceu era humilde, mas de grande riqueza cultural. “Depois do trabalho na roça, meu pai pegava a sanfoninha de bode, que é a sanfona de oito baixo, e começava a tocar, minha mãe a cantar e a gente a dançar”.
A forte tradução cultural da Região do Vale do Murici também foi determinante na formação de Pereira. Ainda criança, acordava à noite ao som das folias que visitavam sua casa trazendo violas, sanfonas, tambores e muita cantoria.
Encontro de Culturas
Participando do Encontro de Culturas Tradicionais de 2008, Pereira da Viola contou à Agência de Notícias do evento um pouco da sua história. Uma "incelente maravilha", conhecida saudação do artista.
De onde surgiu a paixão pela viola?
Foi uma maneira que encontrei de estar em contato com a minha própria identidade. Saí de casa muito cedo para estudar no Espírito Santo. Na década de 80 fui estudar em Serra dos Aimorés (MG), onde acabei me envolvendo com o movimento cultural. Foi lá também que entrei em contato com a música de Elomar, Rubinho do Vale, Dércio Marques, Doroty Marques, Paulinho Pedra Azul e vários outros artistas que me influenciaram. Logo depois senti uma necessidade de retornar à minha base cultural que é minha própria família. Todo mundo em casa toca e canta. 
Existe alguma influência especial?
Voltei para casa com gravador na mão, anotando tudo, estudando as pessoas da comunidade, em especial minha mãe, a base para minha formação de vida pessoal e musical. A Mãe Augusta (87 anos) canta e dança batuque até hoje. Temos uma Folia de Reis que participo todos os anos.
Como você define seu estilo?
Sou autodidata e isso é importante por que o artista acaba criando uma identidade própria. Mas o estudo é muito necessário, sou favorável à volta do ensino da música nas escolas. Vivêncio todos os ritmos: indianos, clássicos, eruditos, latinos e blues que é, para mim, a "folia norte-americana".
Você é um artista popular que tem sua origem ligada à cultura tradicional. Existe alguma dificuldade de traduzi-la para o palco?
Fazemos batuque, cantigas de roda, contradanças e tentamos trazer a alma destas manifestações. Algumas coisas são difíceis, mas eu sou um artista de palco. Ainda é necessário um bom estudo para levar a cultura tradicional ao palco e manter as características que têm. À medida que vão se apresentando, os próprios artistas adaptam suas artes. As produções também devem criar espaços favoráveis, com outra lógica, onde não haja a diferença tão grande entre o natural e o espetáculo.
Como você vê o desinteresse da mídia com relação à cultura popular?
Não é a visibilidade da mídia que faz a cultura popular sobreviver. É sua própria força que a faz se manter viva de geração em geração. É igual à própria terra, podem até matá-la, mas ela vai sobreviver de outra maneira. Agora percebemos um novo olhar dos gestores públicos para a cultura popular.
Você leva aos seus shows o lado lúdico da música, incluindo as brincadeiras de roda e o público adora. Fale um pouco desta idéia. 
É importante ter acesso à informação. Parte das coisas que levo para o palco vem de um movimento de pessoas ligadas à arte e que têm a brincadeira como forma de expressão, assim como Antonio Nóbrega, Adelsinho, Lydia Ortelio e outros espalhados pelo Brasil. Trago para o palco a brincadeira da vida. Brincar é uma coisa séria. O mundo está muito carrancudo e isso não está levando o ser humano a lugar nenhum. O futuro do homem está condenado com a forma de desenvolvimento que está sendo implementada. Temos que levar a vida com menos seriedade, mais leveza.  Não é fácil, mas é um exercício cotidiano, temos que ser moleques, no bom sentido.

É viola, é batuque, é folia, é reisado. Quarto CD do violeiro e cantador Pereira da Viola, produzido e dirigido pelo próprio artista, tem a participação especial de Inezita Barroso, Paulo Freire e Brás da Viola. É o som singular do toque da viola caipira. Poética de sentir o som da terra e os lampejos da água.
RELAÇÃO DE MÚSICAS:
01 - Cafuzo
02 - Viola Ética
03 - Fuxico
04 - Sonho Morena
05 - Minas da Lua
06 - Menina Flor
07 - Anjos da Terra
08 - Maxixe Liso (Instrumental)
09 - Andarilho
10 - Bicho Calango
11 - A Última Estrela
12 - Tirana da Rosa
13 - Almirante (Instrumental)
14 - Violeiro Trovador
15 - Dona Mariana
16 - Hino Nacional Brasileiro (Instrumental)

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quinta-feira, 3 de abril de 2014

PEREIRA DA VIOLA - VIOLA COSMICA

Pereira da Viola - Viola Cósmica - 1998




Músicas:
01.Viva o povo brasileiro (João Evangelista Rodrigues - (Wesley Pioest - Rubinho do Vale)
02.Encontro de bandeiras (Xavantinho - Tavinho Moura)
03.Prucutundá (Bilora)
04.Chalana (Arlindo Pinto - Mário Zan)
05.Lamento do rio (Pereira da Viola)
06.Eu tenho saudade (D. P.)
07.Carreirando (Pereira da Viola)
08.Ponte nova (D. P.)
09.Princesinha (Juraildes da Cruz - João de Barro Barroso)
10.Terra molhada (Paulo Amorim)
11.Boi craúna (D. P.)
12.Boi encantado (João Evangelista Rodrigues - Pereira da Viola)
13.Cantiga do bem querer (Paulo Amorim)
14.Cravo roxo (D. P.)
15.A passagem (Valdão)
16.Corete (Valdão)
17.Beira mar(D. P.)
18.Viola cósmica (Gildes Bezerra - Pereira da Viola)

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quarta-feira, 2 de abril de 2014

PEREIRA DA VIOLA - TAWARANÁ - 1996

01 Misturas e mistérios
(João Evangelista Rodrigues, Pereira da Viola)
02 Cirandinha
(Josino Medina)
03 O boi de Isnaldo
(João Evangelista Rodrigues, Pereira da Viola, Tadeu Martins)
04 Fantasia rabisal
(Pereira da Viola)
05 Tawaraná
(Josino Medina)
06 Saudade da terra boa (Pereira da Viola)
07 Estrada de ferro Bahia-Minas
(José Emílio, Eros Januzzi)
08 Tear
(Josino Medina)
09 Saudade de Matão
(Jorge Galati, Antenógenes Silva, Raul Torres) 10 Aboiador de viola
(João Evangelista Rodrigues, Pereira da Viola)
11 Viola menina
(Josino Medina) 12 Mãos e pilão
(Pereira da Viola)
13 Embolada de caboclo
(Pereira da Viola, Josiel dos Santos)
14 Sinhá Maria - Seleção de batuques(D. P.)
15 Forró do Miudinho
(João Evangelista Rodrigues, Pereira da Viola)

FICHA TÉCNICA
PRIMEIRA PRODUÇÃO: Lapa Cia de Ação Cultural
DIREÇÃO MUSICAL: Pereira da Viola e Gilvan de OliveiraESTÚDIO DE GRAVAÇÃO: Bemol
TÉCNICOS DE GRAVAÇÃO: Dirceu Cheib e Ricardo Cheib
MIXAGEM: Dirceu Cheib, Gilvan de Oliveira e Pereira da Viola
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Guilardo Veloso FOTO CAPA E CONTRA CAPA: Eliane torinoPROJETO GRÁFICO: Lume Propaganda (Design Leonardo Salvio)
FOTOLITO E IMPRESSÃO: Laser Plus
REEDITADO POR: Terra Boa Produções ATUALIZAÇÃO DO PROJETO GRÁFICO: Gustavo Guimarães
PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS: Titane, Carlinhos Ferreira, Gilvan de Oliveira, Dito Rodrigues, Déa Trancoso.
VOZ E VIOLA: Pereira da Viola VOZ: Titane, Déa Trancoso(faixa 14)
VOZ E VIOLÃO (faixa 14): Dito Rodrigues
PANDEIRÕES, CAXIXI E MATRACAS: Magrão
BAIXO: José Dias VIOLÕES E ARRANJO: Gilvan de Oliveira
CAIXA DE FOLIA, QUEIXADA, CUIA DE CABAÇA NA BACIA D'ÁGUA, PANDEIRO, PAIÁ DE CONCHAS, PAIÁ DE CHAVES, PAIÁ DE PEQUI, PIOS, APITOS, QUINDEROVO, CLAVA, MORINGA: Carlinhos Ferreira
BLOQUE E CAXIXI: Triângulo FLAUTA: Taciana Tiso

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terça-feira, 1 de abril de 2014

PEREIRA DA VIOLA - UM DOS MELHORES VIOLEIRO DO BRASIL

José Rodrigues Pereira nasceu no distrito de São Julião em Teófilo Otoni-MG, no Vale do Mucuri, nordeste mineiro, sendo de família descendente de índios nativos brasileiros. Também morou algum tempo na cidade de São Mateus, no norte do Espírito Santo.
Seu pai era lavrador e teve outros 13 filhos. Pereira da Viola também trabalhou na lavoura, assim como os pais. E sua mãe cantava antigas cantigas da roça e Pereira também ouvia Folias-de-Reis na região, o que lhe despertou o interesse musical.
Aprendeu a tocar Viola sozinho. Com dificuldades para freqüentar uma escola, acompanhou os movimentos culturais da região e também procurou seguir os passos de Miltinho Edilberto.
Pereira da Viola iniciou sua carreira artística, nos anos 80. E em seu repertório constam diversos rítmos característicos do folclore brasileiro, tais como calangos, forrós, catiras, frevos, maracatus, toadas e folias.
Pereira também possui outras habilidades, incursionando inclusive na música erudita dos grandes mestres: arranjou para viola caipira o famoso "Bolero", de Ravel, e também a "Habanera", da Ópera "Carmen", de Bizet. E, no CD "Viola Ética", podemos também ouvir um arranjo para Solo de Viola feito por ele para o Hino Nacional Brasileiro (Francisco Manuel da Silva e Joaquim Osório Duque Estrada).
Mas foi somente em 1993 que Pereira gravou seu primeiro disco: "Terra Boa", destacando, dentre outras, as músicas "Menina Flor", "Bicho Calango", "Véio Caipira", "Nas Veias da Viola", e "Terra Boa".
Em 1996, lançou seu segundo disco, "Tawaraná", onde se destacam diversas composições de sua autoria, entre as quais "Fantasia Rabisal", "Saudade da Terra Boa", "Estrada de Ferro Bahia-Minas", "Tear", "Viola Menina", "Misturas e Mistérios", e "Tawaraná", entre outras.
Em 1997, convidado pela escritora e ensaísta Lélia Coelho Frota, apresentou-se no Rio de Janeiro, ao lado da cantora Titane, quando foi apreciado em noite única, na Urca, por muitos críticos cariocas, entre os quais Ary Vasconcelos, Ilmar de Carvalho e Ricardo Cravo Albin, em casa do qual fez a exibição.
Em 1998, lançou "Viola Cósmica", considerado por muitos como sendo seu melhor disco, no qual, dentre 18 músicas, se destacam "Eu Tenho Saudade" (que ele interpreta juntamente com a mãe), a moda de viola "Princesinha", (Braguinha Barroso e Juraildes da Cruz), "Viola Cósmica", composição de sua autoria, "Boi Graúna" (Domínio Público), "Prucutundá" (Chico Lobo) e "Boi Encantado" (Pereira da Viola e João Rodrigues).
No mesmo ano de 1998, Pereira da Viola participou do show e da gravação do CD "Violeiros do Brasil", da gravadora Núcleo Contemporâneo, gravado ao vivo no Teatro SESC-Pompéia em São Paulo-SP, em Agosto de 1997), junto com os 12 violeiros mais importantes do país, dentre eles, Almir Sater, Roberto Corrêa, Paulo Freire, Renato Andrade, Passoca, Zé Coco do Riachão e também Zé Mulato e Cassiano. No respectivo CD, Pereira participa interpretando o pout-pourri contendo as músicas "Embolada de Caboclo" (Pereira da Viola e J. Santos) e "Sinhá Maria" (Domínio Público).
Ainda no mesmo ano de 1998, Pereira da Viola também participou da gravação do CD "Feito na Roça", o qual conta também com a participação especial de grandes nomes da música caipira raiz, tais como Inezita Barroso, Zé Mulato e Cassiano e Paulo Freire, além da participação da Orquestra de Viola Caipira sob a regência de Braz da Viola.
A idéia deste CD, como Braz da Viola menciona no encarte, foi a gravação da Viola Caipira em seu ambiente natural. Foram três dias em contato com a natureza (24, 25 e 26/04/1998) no Sítio Santa Tereza na Serra da Mantiqueira em São José dos Campos-SP. E o trabalho foi gravado ao ar livre. Pereira da Viola participou interpretando "Encontro de Bandeiras" (Tavinho Moura e Xavantinho), juntamente com Inezita Barroso e Zé Mulato e Cassiano, e "Trem da Estrada" (Bartira e Pereira da Viola).
E depois de enorme prestígio conquistado pelo CD "Viola Cósmica" Pereira da Viola gravou o CD "Viola Ética", o qual conta também com a participação especial de Inezita Barroso, Paulo Freire e Braz da Viola, dentre outros.
Em 2003, Pereira promoveu o I Encontro Nacional de Violeiros, em Ribeirão Preto/SP. O evento recebeu 10 mil pessoas e resultou na criação da Associação Nacional dos Violeiros (ANVB), entidade que busca valorizar a cultura Caipira e lutar por melhores condições de trabalho para a categoria. Pereira foi escolhido presidente da Associação, cargo que ocupou até abril de 2010. Em 2004, 2005, 2006 e 2008 a ANVB manteve-se parceira na realização do Encontro Nacional de Violeiros em Ribeirão Preto/SP. Em 2008 através ANVB promoveu o I Seminário Nacional de Viola Caipira, reunindo as principais figuras de todo país ligadas a este instrumento. Em 2005, Pereira partiu para uma turnê pela Venezuela, onde representou o Brasil no Festival da Canção Necessária, sendo agraciado pelo público e pela mídia venezuelana. Em 2006 participou do “CinePort”, festival de cinema dos países lusófonos, e do Festival “Rotas”, ambos realizados em Portugal, nas cidades de Lagos e Lisboa.
Em 2007 lançou o seu quinto álbum, "Akpalô" que, em nagô, significa “contador de histórias, aquele que guarda e transmite a memória do seu povo”. Sem dúvida, o nome retrata com maestria a influência da cultura do Vale do Mucuri na trajetória e no trabalho do artista, bem como sua importância como porta-voz da região. Ainda em 2008 gravou o DVD/LIVRO “Violeiros do Brasil”, projeto coletivo produzido pela produtora Myriam Taubkin, e tem como elenco, além de Pereira da Viola, Almir Sater, Pena Branca, Roberto Correia, Braz da Viola, Paulo Freire, Passoca, Ivan Vilela, Tavinho Moura, Zé Multato e Cassiano.
Em 2009 lançou o DVD/LIVRO “Violeiros do Brasil” em São Paulo, Belo Horizonte, Foz do Iguaçu e em Londres. Participou, ainda, da produção e lançamento do “CD Viva Viola” em Belo Horizonte e Juiz de Fora. O “Viva Viola - 60 Cordas em Movimento” é um espetáculo coletivo criado em 2008 envolvendo os violeiros cantadores mineiros: Bilora, Chico Lobo, Gustavo Guimarães, Joaci Ornelas, Pereira da Viola e Wilson Dias.
CONTATO PARA SHOWS:
FONES: (31) 3482-6674 - (31) 9954-6721
E-mail: pviola@bol.com.br
Site Oficial: www.pereiradaviola.com.br


Texto: Sandra Cristina Peripato


Pereira da Viola - Terra Boa - 1993




Faixas:
01 - Menina Flor - Josino Medina -Pereira da Viola
02 - Margarida - Josino Medina
03 - Bicho Calango
- Adapt. Pereria da Viola
04 - Veio caipira - Pereria da Viola João E.Sobrinho
05 - Nas veias da viola - Josino Medina
06 - Rela chifre - Pereria da Viola
07 - Cantiga das 4 luas - Josino Medina
08 - Viola enfeitada - Paulo Amorim
09 - Terra boa
- Transmitido por 'Pai João Preto"Adapt.Pereira da Viola
10 - O sopro do vento - Josino Medina
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