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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

JOÃO ARAUJO - FESTIVAL / TREM (EXCLUS. CSDT)




João Araújo é músico, produtor e gestor cultural. Nascido em Contagem / MG, desde 1979 vem tentando aprender a cantar, tocar instrumentos (viola, violão e cavaquinho), compor, escrever, registrar e fazer cultura no Brasil.
Criador do trabalho de preservação músico-cultural “Pesquisa Viola Urbana”, já produziu e lançou sobre o tema três CDs (em 2005, 2008 e 2015) e dois DVDs (em 2010 e 2015). Sempre pelo selo próprio “Viola Urbana Produções”, sua carreira engloba ainda outros CDs como “Violando Fronteiras” (2007); “Imaginário Roseano” (2008); “Viola Brasileira em Concerto” (2012); “Trem” e “Lagoa do Peixe” (2013); “Catrumano & Urbano” (2014). Atuou em dezenas de trabalhos de terceiros como supervisor de produções fonográficas e gestor cultural. Projetos futuros: CD autoral de viola sobre o livro “João Pança”, DVD “Eu a Viola e Deus” e lançamento do livro “A vida fácil (?) do músico da noite” – entre outros.
Já se apresentou em vários programas nacionais de televisão, com destaque para “Sr. Brasil” (Rolando Boldrin - SP), “Ensaio” (Fernando Faro - SP), “Sem Censura” (Leda Nagle - RJ), “Nordeste Caboclo” (Carneiro Portela – CE), “Viola Brasil” (Chico Lobo - MG) – entre outros, além de dezenas de programas de rádio. Já fez shows e palestras em vários estados brasileiros como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Espírito Santo, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul.
Desde 2004, disponibiliza no portal próprio (www.violaurbana.com) informações completas sobre toda a sua carreira, além das atualizações dos segmentos da Pesquisa Viola Urbana.
Produtor e apresentador do programa de rádio “Violando...” – Rádio Inconfidência - em 2009.
Em 2012 lançou o livro “João Pança: pedrinhas de ouro que só faltou Dr. Rosa contar...” – prefaciado por Olavo Romano – com histórias sobre o avô de João, um violeiro dos batuques da cidade de Cordisburgo / MG. Atua como Coordenador Editorial em projetos literários próprios e de terceiros.
É o fundador da empresa “Viola Urbana Produções”, que atua na gestão de projetos como “Festival Mineiro de Viola”, “Prêmio Nacional de Excelência da Viola”, “Memória Maria Helena Buzelin”, livros “Minas Gerais – fazendas e sabores”, “Mostra Internacional de Viola de Arame do Brasil” e outros.
“Prêmio de Excelência da Viola” (em 2011 e 2013, como gestor e produtor); “Prêmio Cícero de Excelência Gráfica” (em 2012, pelos encartes do CD “Pesquisa Viola Urbana”); “Gourmand World Cookbook Awards 2014” (gestão do projeto do livro “Minas Gerais: Fazendas e Sabores do Leite”); “Prêmio Profissionais da Música 2015” (Melhor Produtor Artístico). Prêmio “Discoplay de Ouro” pela maior vendagem individual em 12 anos de registros entre 65 mil produtos da loja.
Autor da ideia e do texto do requerimento junto ao Iphan pelo reconhecimento do movimento da Viola Brasileira como Patrimônio Imaterial do Brasil - janeiro 2017

Festival 2000
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Destaque para as musicas "o que oçê quiser" e "o amor assim".
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JOÃO ARAUJO E GERALDO VIANNA- TREM - 2013
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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

APARECIDA - REINOS NEGROS (EXCLUS. CSDT)

Lá vinha o cortejo dos negros, capitães e capitãs de bastão e espada na mão, atravessando a avenida Américo Vespúcio e convocando a força e a memória da ancestralidade. A manifestação de tradição e fé dos congados do bairro Aparecida, em Belo Horizonte, deram vida ao álbum “Aparecida, Reinos Negros”. Em suas 29 faixas, o disco reúne os reinados “Guarda de Moçambique e Congo Nossa Senhora do Rosário e Sagrado Coração de Jesus – Irmandade Os Carolinos”, “Guarda de Congo Feminino Nossa Senhora do Rosário” e a “Guarda de Moçambique do Divino Espírito Santo do Reino de São Benedito”.
Aproximar o público dessa cultura que segue marcando a existência afro-mineira na periferia de Belo Horizonte é a missão destinada a “Aparecida, Reinos Negros”. Além das guardas, o álbum conta com participações de Chico César, Fabiana Cozza, Mauricio Tizumba e Pereira da Viola. Sérgio Pererê, que assina a produção musical e a idealização do trabalho ao lado do produtor Elias Gibran, também participa de três faixas. O disco foi viabilizado por meio do Edital de Chamamento Público de Patrocínio a Projetos e Eventos CODEMIG 01/2017.
Aparecida, Reinos Negros” traz a variedade rítmica das guardas de moçambique e congo, como marcha-grave, moçambique serra-acima, moçambique serra-abaixo, dobrado, compassado e parasero, e os instrumentos tradicionais de cada uma como tambores, gungas, patangomes e sanfona. Os pontos/músicas interpretados por capitãs, capitães, caixeiros e dançantes foram e são perpetuados e transmitidos pela tradição oral de cada reinado. Neles, estão representados o cotidiano de devoção a Nossa Senhora do Rosário, aos santos negros e aos antepassados, a celebração da festa como marco maior da vivência da fé e o lamento e a resistência do povo negro atravessando os tempos.
Aparecida: muito mais que um território
Criado em 1928 sob o nome Vila Maria Aparecida, o bairro Aparecida compõe o conjunto de bairros operários que, ainda que localizados próximos ao Centro, sempre estiveram muito à margem dele. Os três reinados do Aparecida remontam aos reinos negros que se conformaram no Brasil e que participaram da recriação de significados, laços familiares e práticas de fé no contexto da resistência à escravidão. São também reminiscências das tradições do antigo Curral Del Rey e do repertório religioso-cultural trazido pela mão de obra vinda do interior para a construção da nova capital.
Reinados
As guardas de congado, em seus cortejos, reinterpretam nas ruas o mito fundador da aparição e retirada de Nossa Senhora do Rosário do mar pelos negros escravizados. Durante todo o ano, as guardas percorrem os diversos festejos de Belo Horizonte e de cidades vizinhas, em um movimento de visitas mútuas que compõem o ciclo anual do Rosário. As três guardas do bairro Aparecida são guardiãs desses saberes. Em 1937, quando Luiz Carolino refundou a Irmandade Os Carolinos, que Chico Kalu criara em 1917 em Contagem, a Avenida Américo Vespúcio, a principal do bairro, ainda era rio. A Irmandade é a terceira mais antiga da cidade ainda em atividade. Já o Congo Feminino do Aparecida é formado por filhas e netas dos fundadores da Guarda de Congo de Nossa Senhora do Rosário (“Guarda dos Caducos”), que existiu no mesmo bairro, de 1940 a 1976, e bateu pela primeira vez em 1973, a despeito da imposição que tanto ouviam – “Congado não é coisa de mulher”. Desta é que surge a Guarda de Moçambique do Divino Espírito Santo do Reino de São Benedito, fundada em 1996. Juntas, mantém viva a tradição dos reinos negros no bairro operário.
FICHA TÉNICA
O disco foi idealizado por Sérgio Pererê e Elias Gibran, e todas as etapas de sua concepção e produção foram construídas de forma colaborativa com integrantes das guardas participantes. Gravado, mixado e masterizado no Estúdio Casa Antiga por Fabrício Galvani, em Belo Horizonte -MG, entre abril e junho de 2017, com exceção das músicas “Chamado” e “Rosário dos Pretos” que foram gravadas e mixadas por André Cabelo no Estúdio Engenho, e “Tambores”, gravada por Jeremias Straitjer no Estúdio Chita.
Produção musical: Sérgio Pererê

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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

ROBERTO CORRÊA - EXTREMO ROSA (EXCLUS. CSDT)


Roberto Corrêa é um dos maiores violeiros do Brasil, natural de Campina Verde MG mas radicado no planalto central já algum tempo. Não só pela qualidade como instrumentista, mas pela amplitude que deu à arte de tocar a viola caipira, o mais antigo e popular instrumento do País. Debruçou-se no estudo do instrumento por anos. Escreveu o historiográfico e cifrado livro sobre "A Arte de Pontear Viola", o que acabou lhe rendendo a alcunha de "erudito da viola caipira".

Anos depois do trato áfono com a viola, apenas compondo e tocando, ele resolveu assumir a cantoria neste décimo disco de carreira Extremosa-Rosa (Viola Corrêa). "Na verdade, eu canto desde o início da carreira, apenas nos meus concertos. Até gravei um LP cantado, em 1989, mas achei o resultado mediano. Continuei aprimorando esse lado e acho que agora encontrei minha expressão vocal. Mas não sou cantor, sou cantador de viola no peito", teoriza Roberto, que estudou canto para aprumar a voz.

Além de cantar em oito das 15 músicas do disco, Roberto inova acrescentando o baixista Alex Queiroz e o rabequeiro Siba, do Mestre Ambrósio, à sua sonoridade. "Eles tiveram total liberdade para as intervenções", diz. O repertório traz músicas clássicas do cancioneiro caipira e dez composições de Roberto, algumas com poesia, outra faceta desconhecida do violeiro até então.

"Isso aconteceu de maneira muito curiosa há cinco anos, quando me refugiei no litoral do Rio Grande do Norte. Viajei sem a viola e comecei a rabiscar uns versos na areia mesmo, acabei dando vazão a coisas que sentia e não via no trabalho dos meus parceiros", comenta um mineiro ambientado entre as raízes culturais do cerrado e a modernidade de Brasília. Ele confessa que não gostou de praia. Voltou antes do previsto.

Roberto Corrêa começou a apresentar o disco em show pelo Teatro Nacional de Brasília. Segue fazendo shows pelo Centro-Oeste levando apenas o baixista Alex. Siba, informa Roberto, trabalha o próximo disco de sua banda. "Estamos programando para julho uma apresentação conjunta", adianta. Nova turnê internacional, para 2003, também está nos planos.

CRÍTICA
Disco marca nova fase. Roberto Côrrea difundiu usos e costumes das várias formas da viola caipira brasileira como instrumento solista, em especial a de cocho e de arame. "Extremosa-Rosa" revela um novo esforço: o de mostrar o "cantador" que há por trás do virtuose. De quebra, busca expandir público para além dos iniciados no universo instrumental.

Para isso, vale-se da economia nas afinações (usa apenas cebolão em ré na viola caipira e o canotio na de cocho) e busca amparo no contrabaixo acústico e na rabeca na formação de uma cama sonora para variação de temas. Um achado. E os temas são vários, como de sempre em sua carreira. O disco é conceitual, dos arranjos à capa.

Os arranjos passeiam por modinha (clássica Viola Quebrada, de Mário de Andrade), toada (Chapadão, Goiá/S.Rocha), pagode-de-viola (Chora Viola, Tião Carrero/Lourival Santos) e suas inspiradas composições solo (faixa título), entre outras. O canto do violeiro nem sempre empolga mas encaixa-se bem à sintaxe do dedilhado cirúrgico.
texto https://www.cartamaior.com.br

EXTREMO-ROSA
Gravadora: Viola Corrêa
(compra por e-mail:vc@violacorrea.com.br ou tel. (61) 445 2646).

Recomendo !!!!
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CANTO SAGRADO

domingo, 21 de janeiro de 2018

DELICIAS DE MINAS

FAROFA DE JILÓ

http://www.cozinhandopararelaxar.com

Fazer a farofa é muito simples:

20 jilós fatiados finamente em meia lua
2 dentes de alho, amassados
1 fio de óleo ou 1 colher, das de sobremesa, de banha de porco
2 ovos
tempero caseiro e salsinha a gosto
1 pimentinha ardida bem picada (opcional)
farinha de milho até dar o ponto desejado (você pode usar farinha de mandioca, se preferir)

Aqueça uma panela de fundo grosso e junte o óleo e o alho, assim que o alho dourar junte o jiló e refogue, mexendo sempre, até o jiló ficar ao dente. Tempere com o tempero mineiro e a pimenta e junte os ovos. Assim que os ovos coagularem, mexa bem e acrescente a farinha, à seu gosto. Acerte o sal...
Acrescente bastante salsinha e sirva.

Eu como pura, só com um arrozinho branco feito na hora!

VENTO VIOLA - EM NOME DA VIOLA (EXCLUS. CSDT)

Belíssimo trabalho do grupo sul mineiro Vento Viola gentilmente enviado pelo parceiro e administrador do blog  barulhodeagua.com Marcelino Lima.

Após “uma surra boa”, Vento Viola (MG) encerra dezesseis anos de silêncio e lança “Em Nome do Vento”

   
O acervo fonográfico do Barulho d’água Música recebeu, recentemente, mais um considerável reforço: o álbum Em Nome do Vento, do grupo sul-mineiro de Itajubá Vento Viola, entregue por um dos seus integrantes, o jornalista do Correio Popular (Campinas/SP) Clayton Roma. O disco é o segundo do quarteto que além de Roma é formado por César Dameire, Lúcio Lorena e Aidê Fernandes, e foi lançado em dezembro de 2016, sucedendo Viola de Todos os Cantos (2000), que conta com a participação do violeiro Levi Ramiro e é considerado entre os amantes da música regional e caipira uma verdadeira relíquia por não dispor mais de cópias. Em Nome do Vento reúne 13 faixas e conta com as participações em três delas de Ronaldo Chaplin (Cheiro de Minas), João Lúcio (Amo Minas) e Adriano Rosa (Pinho e Violeiro). Abaixo, em entrevista ao portal Música à Vista, concedida a Ronaldo Faria, Clayton Roma fala, entre outros assuntos correlatos, sobre a produção do novo álbum destacando que “no primeiro disco a gravadora não interferiu no trabalho, mas corrigiram arranjos e fizeram a direção que acharam do jeito que tinha de fazer. Mas, neste segundo, foi o jeito do Vento Viola. Nós concluímos esse e já estamos com a cabeça no próximo. Afinal, música é o que não falta!”

Ronaldo Faria (RF) – Minas tem cheiro, sei lá, de coisa presta em festa? Tem. Com certeza, tem. Tem também cheiro de bosta de vaca, de mato a crescer livre, de riachinho que corre quieto na divisa indivisível entre suas terras e um São Paulo a pulular do lado de cá.
Minas tem cheiro de viola a correr e sangrar, a brotar além nas cordas de aço que discorrem entre o leite e o café. Para deleite de São Gonçalo, se fará vida em qualquer um. Quem sabe até um gole de pinga a respingar às horas e noras na fé.
Minas tem mais: tem junção de mundos entre o início e o fundo, a correr de lá e para cá num mundo entre a cidade e a roça, o início e o precípuo final. Ácida, indelével, entre a missa e o refrão, ficam a saudade e o que ainda resta de mundão.
Minas tem minério nenhum, tem um ilícito poema de madrugada em torpor, tem o imaginário e glacial louvor. Pedaço de mãos e vozes em imaginário torpor. No fim, nos sobra música mágica a voar feito ébrio e perdido, inútil e grave ateu.
Minas, misturada em quilômetros afônicos e tônicos, sobrevoa feito os pássaros atônitos que a cobrem de poemas e açucenas. No permear de qualquer coisa talvez não seja nada: se apequene no seu sem mar, a seguir a onda no cerzir e sorrir.
Minas, porém, grave que serás ainda eternamente nunca finda e que tua grandeza te fará feito canto de vento longe ou de sabiá… Vento Viola, quiçá.
Na verdade, ouvir o Vento Viola é se reportar ao primeiro CD – Viola de Todos os Cantos – e àquilo que temos dentro de nós, desatado em nós. É também pensar porque o que é bom fica tão escondido nos rincões musicais de um lugar qualquer dos ouvidos enquanto sons sem sentido e letras sem noção tomam de assalto as rádios, as tevês, a internet e o que mais exista par ase ouvir e viver. No palco do Música à Vista!, hoje, o Vento Viola na voz de um do seus integrantes – Clayton Roma – que vive em Campinas. Ele falará em nome de César Dameire, Lúcio Lorena e Aidê Fernandes, os outros viajantes de um universo onde o importante é pegar a viola, largar o dedo em acordes mil e virar uma pinga diante das montanhas de Minas, que se calam para ouvir a vida passar. Assim, depois de muito e do ainda está por vir, viver ao porvir.
Clayton Roma (CR): Eu comecei a tocar violão com cinco anos de idade. Com sete já tocava na igreja. Com 15 fui para o barzinho, que é a grande escola da música. Quem toca em bar conhece tudo e toca depois em qualquer lugar, com qualquer pessoa. Esse é o grande ensinamento do bar. Você não precisa ter entrosamento ou ensaiar com uma pessoa que já tocou na noite. É o que acontece muitas vezes comigo. Comecei em Minas Gerais. Sou de Santa Rita de Caldas. Tocava lá nos bares e ia também para Caldas e Ibitiúra de Minas, que são cidades vizinhas. Em 2009, fui convidado a entrar no Vento Viola, mas o grupo começou mesmo em 1978/79, na primeira formação. Mas essa realidade durou o tempo da faculdade do César Dameire, do Lúcio Lorena e do Aidê Fernandes. Depois, cada um se formou e foi para um canto. Em 2008 o César convidou o Lúcio para voltar e, no ano seguinte, o Lúcio me convidou para integrar o grupo.
Eu toco violão, mas toco viola, piano, teclado e percussão. Aprendi a viola porque ela está presente no grupo e, por incrível que pareça, ser um instrumento mais fácil de tocar do que o violão, apesar dela ter dez cordas. É mais gostoso tocar viola. Você começa a tocar ela e não quer parar mais. Eu tinha um violão antigo que o Levi Ramiro (http://www.leviramiro.com.br/) fez uma experiência: o transformou em viola. Eu o chamava de Roberta Close, por ter mudado o sexo de violão para viola. Mas não deu certo, porque o braço não aguentou a tensão das cordas e empenou. Hoje eu tenho uma viola feita pelo Levi que demorou sete meses para ser entregue. Fiz também três meses de aula com o Ivan Vilela (http://dicionariompb.com.br/ivan-vilela) para pegar o jeito da coisa, pois o músico autodidata é meio sem-vergonha. Ele não estuda. Tive aulas e quando eu achei que dava conta do recado, do meu jeito, parei.  Falei para o Ivan que dali para a frente iria sozinho. Não sou violeiro e nem falo que sou. Não conheço tudo de viola. Não consigo tocar Tião Carreiro porque não é a essência que está no meu sangue. A viola que está no meu sangue é a do Vento Viola, onde aplico muito. Tem uma balada no CD novo onde eu toco violão, viola e contrabaixo, o César toca violão requinto e tem até guitarrista. Então é o meu estilo. Eu sei tocar viola, mas não sou violeiro como o Levi Ramiro, Júlio Santin (http://www.juliosantin.com/), Ricardo Vignini (http://www.ricardovignini.com.br/) e o Ivan Vilela. Mas meu instrumento de verdade é o violão. O César que é o violeiro oficial do grupo e também aprendeu brincando. O filho dele está entrando agora no Vento Viola e assumindo a viola porque o César está curtindo o violão requinto.
Em 2009, participamos de um festival de música, porque em Minas Gerais tem festival de música todo o final de semana, no Inverno principalmente. No segundo festival que entramos já ganhamos o segundo lugar, com a música que se chama Segredo. E essa foi a grande música do Vento Viola. Através dela surgiu o convite para gravarmos um disco, que foi o nosso primeiro CD – Viola de Todos os Cantos. Com essa música chegamos a ir até para o Festival de Boa Esperança (MG), que era o grande festival e que tem até hoje. Tinha gente que tentava entrar nele há dez anos e nós fomos no primeiro ano. Foi aquela coisa que nem a gente acreditava, do tipo: o que estamos fazendo aqui no meio dessa turma?! Lá, por exemplo, foram revelados Chico César, Tadeu Franco e Lenine, entre outros. Então era um festival muito forte. Nós passamos por lá, gravamos o disco, mas em 2002 demos um tempo.
RF – Tempo, tempo, tempo, esse ser inequívoco e frágil que ensina, lapida e transmuta as pessoas. Às vezes estraga tudo, envelhece a alma e os sonhos. Outras vezes, porém, dá o caminho, mostra as esquinas e encruzilhadas a seguir. Assim, do nada, renasce tudo que estava parado como se não fosse apenas tempo e cria coisa nova e revivida. Com o Vento Viola foi assim.
CR – Por ser conterrâneo do Lúcio e ele ser meu parceiro desde Santa Rita a coisa aconteceu com o Vento Viola. Tocávamos nas festinhas de Santa Rita, em bares, durante uns quatro ou cinco anos direto. Mas aí eu vim para Campinas e o Lúcio foi para Três Corações (MG). Continuamos a tocar um tempo, mas ficava cansativo, porque tinha a coisa de viajar para tocar e o que você ganha muitas vezes não paga nem a viagem. Quando o Vento Viola voltou, o Lúcio falou de mim porque sabia que eu poderia somar e acrescentar alguma coisa ao grupo. Tanto que a gente brinca que eu sou o arranjador do Vento Viola. Arranjo a corda que arrebenta, o fio que está com defeito, confusão, ou seja, a gente arranja tudo. Mas foi um jeito de somar. Eu toco violão com corda de aço. O César, por exemplo, toca viola de um jeito todo próprio, onde não deixa nem a unha do dedão crescer. Foi unir na música um instrumento de seis cordas com um de dez. E o casamento da viola com o violão deu sorte.
O Vento Viola está na estrada, novamente, desde 2012, e após lançar o segundo álbum, em 2016, avisa que ainda tem várias músicas inéditas (Foto: Denize Assis)
Em 2012 nos reunimos de novo. Acho que esse período afastados foi uma fase de amadurecimento musical para todos nós. Nesse ínterim, o César fez uma sala de gravação onde ele mora. Antes morava na cidade e agora em Cristina (MG), ou seja, ele mora na roça. Tem uma sala de gravação lá. E nós voltamos a nos encontrar, gravarmos junto. Surgiu a ideia desse novo CD – Em Nome do Vento. Esse disco foi feito inteirinho por nós, o nome é nosso e a verdade é nossa, do Vento Viola. Fizemos do jeito que a gente quis. Quem fez a direção musical, o arranjo, a gravação, composições e ainda toca é o Vento Viola. Então, tem músicas que têm, além do violão e da viola – que são o padrão do Vento Viola no primeiro disco –, contrabaixo, guitarra, violão requinto, violeta, viola caipira, violão normal, percussão. Nós inovamos naquilo que fizemos da outra vez, mas tem música que está só com o violão e a viola. Não perdemos o estilo de tocar que é nosso. E o vocal continua os quatro cantando ao mesmo tempo a maioria das músicas, que é uma coisa que ninguém faz.
Você pega os grupos vocais que têm quatro pessoas e nem sempre todas cantam. Um canta ou dois cantam e os outros fazem outras coisas. Mas nós nos mantivemos cantando os quatro. E como os timbres de vozes são diferentes, quando você dá uma nota existe um arranjo vocal pronto, apesar de não ter notas diferentes. O timbre de voz proporciona isso. Foi uma escola para nós fazermos isso. Ralamos o dedo para ficar bonito e ficou. Um aprendizado grande. O disco está bonito, do nosso jeito. Nós aprendemos a fazer um disco e, com certeza, virão mais e feitos de forma mais fácil. Nós apanhamos para fazer o novo disco, mas foi uma surra boa de levar. No primeiro disco a gravadora não interferiu no trabalho, mas eles corrigiram arranjos e fizeram a direção que acharam do jeito que tinha de fazer. Mas, neste segundo, foi o jeito do Vento Viola. Nós concluímos esse e já estamos com a cabeça no próximo. Afinal, música é o que não falta.
RF – Mas de onde vem tanta canção? Teve gente que já disse que criar é 99% transpiração e 1% inspiração. Então, haja suor para dedilhar tantas cordas e tirar da cabeça letras e sílabas, rimas e estrofes. Mas, se assim o for, que o tal suor se largue como os rios que cortam Minas Gerais, lavam ouro, prata e pedras preciosas e agora enxaguam córregos que São Gonçalo dedilha de lá do céu para o pessoal daqui pegar e fazer cerzir.
CR- O César é o maior compositor do grupo, apesar de todos comporem. Quando nos reunimos para tocar, nos divertir, costumamos dizer: ‘vamos mexer no baú do César’. E sempre arrancamos uma coisa nova que eu, pelo menos, não conhecia. Eu que sou o mais novo do grupo. Logo, ainda tem muita coisa a ser registrada e que não pode se perder no tempo. Coisas com letras bem escritas, bem trabalhadas, com poesia. O trabalho nosso foi uma coisa que deu certo e todo mundo gostou. Mas, infelizmente, a gente fazer música séria no Brasil nem sempre é muito valorizado. Não toca nas rádios ou na televisão. Em televisão fomos no programa da Inezita Barroso (http://dicionariompb.com.br/inezita-barroso) duas vezes. A gente tem esperança agora de ir no Rolando Boldrin (http://dicionariompb.com.br/rolando-boldrin). Mas no Faustão nós nunca vamos e no dia que ele chamar a gente, não vamos também.”
Nosso tipo de música, para ter mais espaço, falta somente a gente poder mostrar o trabalho. Mas, veja por Campinas, por exemplo, que é uma cidade 1,2 milhão de habitantes e tem um único teatro municipal, hoje. Para tocar nele você tem de enfrentar diversas dificuldades. Conseguimos fazer o primeiro disco no Centro de Convivência, que já não existe hoje como espaço. Mas foram dois meses de trabalho forte, no boca a boca. Esse nosso primeiro disco, por exemplo, tocou na Morena FM porque nós divulgamos o show lá. Foi um acordo do tipo ‘pagamos o anúncio e vocês tocam o disco’. Mas, acabou o show, nunca mais tocou. Quando a gente fala em música comercial, o que quer dizer? É aquela que vende. E hoje a moda é o sertanejo, sertanejo universitário, que o pessoal compra em CD e DVD. A música nossa não vende. Mas por que não vende? Por que não é tocada, as pessoas não têm acesso a ela. Mesmo com o uso da internet para divulgação, muita gente não chega a ela. E quem tem alcance pela internet fala que queria nos ver tocar. Mas a gente não tem esse espaço. O músico que faz um trabalho independente depende de outras pessoas para fazer um show no teatro. A gente não consegue divulgar também porque não é uma música que vai dar lucro para alguém. A nossa música não dá lucro como dá um sertanejo, um rock, apesar de já estar difícil você escutar rock brasileiro nas rádios.”
RF- Eita Brasil difícil de entender. Com tanta beleza e coisa boa por aqui ainda se esquece das raízes, daquilo que é nosso, saindo das entranhas de um pé a correr pela poeira de um estradão, que dorme na rede e acorda a pitar. E não é só ser caipira. Pode ser urbano também. É ser brasileiro, destravar correntes e poder ser parte de algo que só por ser já há o que sempre ser.
CR- O espaço que tem hoje para o músico que queira fazer um trabalho diferenciado, um trabalho regional e intimista, acaba sendo festival. Lá é que ele consegue mostrar o trabalho. Caso contrário, fica difícil você divulgar por causa do ‘lado comercial’. Como na televisão. Antes nós tínhamos a Inezita que levava pessoas diferentes. Hoje tem o Rolando Boldrin, que tira umas coisas da gaveta, de bons músicos, que nem você que é da música conhecia, é o lugar. E não tem mais. Em Brasília tem um programa na TV Câmara que é de música caipira de violão e viola, de dupla. Mas muitas vezes as duplas que vão até Brasília sequer têm ajuda de custo. É difícil. Tanto que quando a Inezita morreu ninguém quis substitui-la. Uma que substitui-la é uma responsabilidade muito grande. Eles estão reprisando porque houve uma mobilização para que não tivesse fim. Hoje, o boca a boca é o único espaço que nós temos. Falta divulgação. No passado, por exemplo, peças de teatro tinham Campinas como ponto nacional de lançamento. Acho que falta incentivo, valorizar, ajudar e ceder espaço cultural. Valorizar a sua cultura.
Nós nunca tivemos pretensão de ficar famosos ou ricos. Quem começa com essa pretensão não vai para a frente. A gente toca por querer fazer um trabalho diferente e bem feito, o melhor dentro da nossa capacidade e limite. Quem toca as cordas no grupo somos eu e o César. Somos autodidatas, nunca estudamos música. Mas a gente consegue casar dois instrumentos com harmonia, somado às vozes, onde se cria um trabalho diferente. Hoje há um grupo capixaba, o Moxuara ( http://www.moxuara.com.br/joomla_joomla/) – que lembra o Vento Viola. Mas do jeito que gente faz, ninguém fez ainda. Nós não copiamos de ninguém e ninguém nos copiou ainda. Mas se quiserem copiar, a gente acha bonito. Tem um músico amigo da gente, o João [Arruda], do Grupo CantaVento, que define o Vento Viola como um coral caipira. Mas o que é o caipira? É aquele bobão da roça? Não. O caipira é aquele que é o mais inteligente do mundo. As letras do César, por exemplo, que é caipira, têm frases que ele tem de explicar o que são, pela poesia. Por que ele te dá formas de pensar mil coisas.”
RF- Mas o importante é acreditar que tudo pode ainda mudar. Que os ouvidos do futuro saberão entender que o agora é para o que é bom e sempre há lugar. Senão, que cada um dedinho de prosa ao lado da vitrola virtual, a catar uma notinha daqui e um acorde de lá, logo ali, valha mais do que uma plateia entorpecida de 100 mil. Afinal, não vamos levar o mundo conosco. Se muito, um enrosco, um poema afoito, uma música dedilhada feito os anjos que harpearão no céu na nossa chegada. No caso do Vento Viola, haja anjo para tocar tanta belezura e coisa feita. Por isso, curta eles agora, enquanto há vida afora.
CR- Hoje para vender disco está uma coisa muito difícil. Gravadora que eu tenho contato diz que o pequeno que fazia mil discos continua fazendo mil. O grande que fazia um milhão, hoje faz dez mil e dá risada, porque não vende mais do que isso. O pessoal hoje quer MP3, quer pôr no celular, quer pôr no pen drive. Não quer carregar ou ouvir mais disco. Por isso fica bem difícil você fazer um disco bem feito, com encarte bem trabalhado, ter letra. Já não se lia antigamente, hoje muito menos. Mas você acompanhar uma música lendo a letra é muito melhor. Você entende. No caso desse novo CD, tem uma coisa que eu sugeri e o César escreveu foi o que é o causo de cada música, a historinha de cada uma delas. Muitos falaram para fazermos só um envelopinho e colocarmos o disco dentro. Mas não quisemos. É prazeroso você ter um disco com encarte, completo. Logo, não temos intenção inicial de lançar em outros meios, como MP3 ou coisa parecida. Vamos lançar o CD em Santa Rita de Caldas e depois em Campinas.

A música que abre o CD é Cheiro de Minas, já que nós somos mineiros. O Aidê é baiano, mas mora muito tempo em Minas, então nós chamamos ele de baianeiro. O Levi fala que nós somos muitos bairristas. Então já abre com Minas, numa música feita pelo Ronaldo Chaplin, que é mineiro e morou um tempo em São Paulo. Teve um final de semana que não pôde ir para Minas, mas parou em Campinas e encontrou outro chapa nosso, o Alexandre Buselli, e ficou falando de Minas e o quanto gostaria de estar lá. Daí surgiu a música. As músicas do meio são todas do César, em parceria com alguns de nós. A mais nova foi de uma parceria comigo – ‘Espera’. A música eu fiz e o César com o filho dele fizeram a letra. Nela tem até uma história engraçada. Nós fomos gravar o instrumental e o César falou para eu tomar uma cachaça e limpar bem a voz, para servir de guia. Aí ele foi ajeitar tudo e eu peguei o copinho de pinga, pus no dedo e fiquei brincando no violão, para fazer um slide. Até esse slide está na música. Uma coisa que o Dércio Marques (http://dicionariompb.com.br/dercio-marques) me falou uma vez: ‘o disco é criado no estúdio’. E eu falei para ele que não. Que o disco era criado fora e ia para o estúdio pronto. Mas, agora, no segundo CD, descobri que ele tinha razão. Disco você faz no estúdio.
RF- Assim, na criação do tempo, aprendendo e reaprendendo, renovando e fazendo, tornando coisa feita o que antes era só pensado, o Vento Viola vai a correr seus trilhos e trilhas, juntar telhas e tralhas de um novo alicerce. A trazer mais gente para perto, na futura geração do grupo, a tocar canções e receber unções do universo caipira ou urbano em presto. Para nós, meros ouvintes e mortais, que as coisas continuem tais e quais. Isso já está bom demais…
CR- Tem uma música do novo CD, Pinho e Violeiro, que o Zeza Amaral definiu como a nova música caipira, porque ela conta uma história. Tem uma declamação. É uma música de viola e violão com contrabaixo. Ela encerra com a inserção de uma música do Renato Andrade (http://dicionariompb.com.br/renato-andrade), porque o violeiro da história é ele. A coisa nasceu de um artigo que o Zeza Amaral escreveu no Diário do Povo no dia da morte do Renato Andrade. Daí o Adriano Rosa pegou esse artigo e escreveu uma letra. O César pegou e pôs a música. Para o escritório que fez o disco eu mandei a música para verem a necessidade de pagar os direitos autorais pela inserção do trecho do Renato Andrade. Passou um tempo, ligaram e eu pensei que teria de pagar os direitos. Mas não, foi para dizer que há muito tempo eles não escutavam uma música dessa. Por que ela é uma música caipira, que conta uma história. E a música sertaneja hoje é só sobre balada, mulher, boi, peão etc. Para nós, foi um elogio. Pois música séria você não faz mais. Fizemos este CD porque rachamos o custo em quatro. Se fosse só para um bancar, ficaria impossível. Tanto que eu estou há 26 anos em jornal para sobreviver. E ainda falam que músico é vagabundo. Por isso eu respeito muito quem vive só de música. A gente poderia até entrar no universo comercial e ganhar muito dinheiro com isso, mas não faríamos aquilo que a gente gosta e quer mostrar.
O certo é que a viola conseguiu crescer muito. O que não podemos agora é deixar ela sumir. Temos grandes violeiros hoje, como o Chico Lobo, Pereira da Viola, Levi Ramiro e Paulo Freire. Legal foi ter visto um projeto como o que o Levi e o Paulo fizeram no Sesc chamado Sonora Brasil. Foram 120 shows pelo Brasil inteiro. Como o Levi Ramiro falou, foi cansativo, mas ele nunca iria tocar a viola dele no Acre, Rondônia, Roraima, em todo o País, se não fosse assim. Isso mantém a viola e a música regional vivas. E cada região tem sua viola, desde a nordestina, mato-grossense, do interior paulista, norte de Minas, do Paraná e Rio Grande do Sul, entre outros. A viola hoje está esparramada e, se Deus quiser, vai continuar esparramada e criando adeptos por muito tempo afora. Nós, do Vento Viola, estamos aí para isso.
RF- Agora, que São Gonçalo nos proteja e deixe que o vento que bate nas violas da vida não pare jamais. Que cada um dos violeiros que dá seu mundo a espalhar poesia e canções continue assim: criador de tudo que pode existir de bom, seja num mundão verde e de mata ou seja num se perder de concreto que, mesmo cinza e sem graça, ainda pode ouvir o som  da melhor das melodias.

Se vc gostou adquiri o original, valorize a obra do artista.
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CANTO SAGRADO 

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

A DESPEDIDA - FLAVIO HENRIQUE



MINAS DE LUTO.
É com tristeza que por meio desta o blog Canto Sagrado vem prestar uma solidariedade à família  e amigos do Flavio Henrique falecido nesta quinta feira vitima de febre amarela.
Que Deus conforte a todos, são meus sinceros sentimentos.
Como diz o velho Rosa "as pessoas não morrem ficam encantadas"

Compositor plural


A música de Flávio Henrique era plural. Prolífico em parceiros, o cantor, compositor e instrumentista construiu uma obra que dialogou com diferentes gerações da música mineira. E uma obra extensa: compôs 180 músicas. O ofício ele aprendeu em casa, por meio da mãe, Delza Cecília Alves de Oliveira, professora. “Ela exerceu a profissão de musicista até quando eu tinha uns 10 anos. Curiosamente, foi depois que ela largou a música que eu comecei a minha carreira”, disse ele em depoimento ao site do Museu Clube da Esquina.

Um dos discos responsáveis por sua formação foi de Toninho Horta, que muitos anos mais tarde se tornaria seu parceiro. Um dia, sua mãe chegou em casa com um álbum do violonista, gravado em 1984. Flávio, então mal entrado na adolescência, não tocava nenhum instrumento.

“Esse disco branco do Toninho Horta foi a primeira coisa com essa cara forte daqui de Belo Horizonte que chegou e eu gostei de cara. Engraçado que era uma música difícil”, disse.

Com muitos instrumentos em casa, graças à mãe professora, Flávio se tornou autodidata. Aprendeu piano, cavaquinho e violão. O primeiro grupo nasceu também na escola. Em 1994, já aluno da Rede Pitágoras, matriculado na mesma turma que Robertinho Brant, Flávio passou a integrar o grupo Candeia. O disco de estreia viria logo depois. Lançado pelo selo Velas em 1995, Primeiras estórias trazia no repertório as faixas Caçada da onça e Carro de boi inspiradas, respectivamente, nos contos Meu tio Iauaretê e Conversa de bois, ambos do livro Sagarana, de Guimarães Rosa. O disco o fez trocar o bar pelos estúdios, especializando-se na composição de canções para artistas como Paulinho Pedra Azul e Ana Cristina, entre outros. Cinco anos depois, Ney Matogrosso batizaria o elogiado Olhos de farol, em que dava mais uma guinada na carreira solo, com a canção de Flávio, que, a essa altura, já chamava a atenção de produtores como Ronaldo Bastos.

INDEPENDENTE Em 2000, Flávio ficou em quarto lugar na categoria compositor no Prêmio Visa de Música. Marina Machado e o Trio Amaranto (formado pelas irmãs Flávia, Marina e Lúcia Ferraz) seriam os companheiros de palco na performance. A parceria no palco gerou mais um disco, Aos olhos de Guignard. “Foi o disco independente de maior tiragem (6 mil cópias) feito na cidade”, disse ele em 2012 ao Estado de Minas.

Já em 2002, Flávio Henrique gravou em parceria com Chico Amaral o disco Livramento, cujo repertório reúne músicas cantadas e instrumentais. Milton Nascimento participou deste trabalho na canção Nossa Senhora do Livramento, e Ed Motta em Hotel Maravilha. Vale lembrar que Flávio e Chico foram os produtores de Baile das pulgas (1999), primeiro álbum solo de Marina Machado. Na sequência ele faria os discos Sol a girar (2005) e Pássaro pênsil (2008). O primeiro álbum foi um ensaio do que viria a se tornar o quarteto Cobra Coral. Em 2012, o quarteto lançou o trabalho de estreia. E em 2015, o segundo.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

NOSSO CANTO VALE MAIS


Projeto lançado em 2010.
O Nosso Canto... resulta de um longo processo que busca valorizar a identidade de artistas e grupos musicais do Vale do Jequitinhonha. Nem todo mundo sabe, mas a música, assim como o artesanato, é uma das maiores riquezas da região do Vale do Jequitinhonha.
A idéia é que o projeto se torne vitrine dessa rica tradição, que, sendo difundida, certamente contribuirá de maneira singular para a formação cultural do povo brasileiro.
COMO FUNCIONA:
O Nosso Canto Vale Mais Jequitinhonha foi aprovado pelo Fundo Estadual de Cultura e, nesta última etapa, levará a rádios, escolas, bibliotecas e centros culturais do Vale um kit contendo material fonográfico e informativo de mais de 40 artistas.
O kit contém uma revista-catálogo com diversas informações sobre a carreira, além de contatos e discografia dos participantes; um DVD com faixas escolhidas e disponibilizadas por eles (300 músicas em formato mp3); além de adesivos, cartazes, folders e filipetas para a divulgação do projeto.
A intenção é proporcionar o encontro dos filhos do Vale do Jequitinhonha com sua vasta cultura; já que muitos donos de rádios, por exemplo, justificam não difundir tais músicas pelo fato de não terem acesso às mesmas.
Com esta iniciativa, espera-se que a música do Jequitinhonha ocupe seu merecido espaço, valorizando e difundindo os valores regionais. A expectativa é que o projeto possa desencadear, ainda, uma série de outras ações, como a abertura para esses artistas nas programações culturais de eventos locais.
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Instituto Vale Mais
O “INSTITUTO VALEMAIS” é uma organização não governamental, apartidária e sem fins lucrativos, que tem como objetivo principal contribuir para o desenvolvimento sócio-cultural do Vale do Jequitinhonha. Fundado em janeiro de 2002, o instituto tem sede em Belo Horizonte e se espalha pelo mundo através do portal valemais.org.br.
Informações para a imprensa: tereza.jornalista@yahoo.com.br / (31) 98478-6713.
Fonte: www.onhas.com.br

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CANTO SAGRADO