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domingo, 15 de julho de 2018

MAURICIO TIZUMBA - GALANGA CHICO REI


Sexto álbum do mega artista mineiro Mauricio Tizumba, com sofisticada sonoridade, que remete às nossas mais profundas raízes musicais afro-brasileira, sobretudo a do congado, o álbum, produzido por Sérgio Santos, é uma homenagem ao rei africano escravizado no Brasil e convertido em herói ao comprar a própria liberdade, adquirir riqueza e libertar centenas de outros escravos. A narrativa sonora, fruto de extensa pesquisa empreendida por Paulo César, foi criada originalmente para a peça homônima escrita por ele, dirigida por João das Neves e protagonizada por Tizumba que estreou em 2011.

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CANTO SAGRADO

Se vc gos

GERALDO VIANNA E JACKSON ANTUNES - O PACTO - UM POEMA MUSICAL

O Pacto – um poema musical

Texto e música foram desenvolvidos por Geraldo Vianna, baseado na remota lenda de pactos com o demônio, que permeia a história da humanidade. Para o desenvolvimento do texto, o músico buscou informações na literatura universal, além das estórias e lendas do cotidiano de violeiros de todo o Brasil. “O pacto – um poema musical” conta com a participação do ator Jackson Antunes que narra o texto e marca, ainda, a primeira gravação de Geraldo Vianna executando a viola caipira. Participação de Sérgio Rabello – violoncelo e Renato Savassi – Flauta.
http://gvianna.com.br/

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CANTO SAGRADO

quarta-feira, 11 de julho de 2018

LIMA JUNIOR - BORDADOS ( EXCLUS. CSDT)


“Bordados”, um trabalho inspirado, desde sua concepção e criação, no ofício das bordadeiras, que no seu silêncio, a cada ponto, a cada linha, revelam a beleza e o encantamento da vida. Bordando sentimentos com notas musicais e lírica poesia, “Bordados” apresenta, em seus diferentes arranjos e melodias, expressões do amor capazes de colorir as dificuldades do cotidiano com os tons de superação e esperança.
O CD conta com a participação de músicos do porte de Roberto Mendes, cantor e compositor baiano de Santo Amaro da Purificação, que presta homenagem a Elomar na faixa “Curva Medieval”. Roberto Mendes teve vários sucessos gravados na voz de Maria Bethânia, entre eles Yaya Massemba, em parceria com Capinan. O mineiro Paulinho Pedra Azul, também do Vale, está presente em duas faixas: “Perto de você” e “Um Anjo Ali”, uma homenagem ao cantor e compositor Vander Lee.

Produzido pelo guitarrista do Skank Doca Rolim e o maestro Liciano PP, “Bordados tem 14 músicas inéditas, reunindo novos parceiros e letristas, entre os quais o escritor e jornalista Roberto Lima, Pedro Ramucio e Naiara Jardim. A capa é assinada por Diro Oliveira, com belas ilustrações de Marina Jardim e Diomilton Ferraz.

Lima Junior é mineiro de Almenara, pequena cidade localizada no Vale do Jequitinhonha, onde deu início a sua carreira de cantor e compositor. É considerado pelos críticos musicais um dos mais criativos compositores do Vale. Sua carreira consolidou-se em 2000, com o lançamento do CD “Fina Flor, parceiros da Lua”, com poemas de Melck Aquino Tocantins. Em 2005, lançou “Xamã”, trabalho musical que contou com participação especial do Mestre Elomar. Em 2008, lançou o CD “Um Beija Flor me Avisou”.
Músicas de sua autoria foram gravadas por Saulo Laranjeira, Rubinho do Vale, Jackson Antunes, Carlos Farias, Banda Falamansa, Estakazero, Flor Serena e Trio Jerimum, com participação de Dominguinhos. Em festivais, conquistou importantes prêmios de Música Popular Brasileira (Avaré/SP, Maceió/AL, Salvador/BA, cidades de Minas Gerais e Tocantins), vencendo duas edições do Festivale. (http://domtotal.com)

*Há também  já postado no blog uma coletânea elaborada pelo canto sagrado.

Belíssimo disco recomendo !!
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CANTO SAGRADO

sábado, 7 de julho de 2018

PELAS TRIA E ISTRADINHAS DE MINAS



Desenhos da natureza
O município conhecido como “paraíso do ecoturismo” está em uma região privilegiada pela natureza: é rico em nascentes, oferece muitas cachoeiras, é banhado pelo rio Grande e guarda em seus domínios vastas extensões do Parque Nacional da Serra da Canastra, além, é claro, de valioso acervo da biodiversidade do cerrado.

Reportagem Cacaio Six
Fotos Eduardo Gontijo


Do alto dos chapadões a vista alcança longe, pois para muito além dos planaltos parece não ter fim a paisagem que se alonga em várias tonalidades de verde até os limites do céu azul. Talvez porque seja outono e a passagem de uma chuva rápida, mas forte — incomum para esta época do ano  — refrescou o tempo ao lavar o clima; tudo ao redor, muitos quilômetros quadrados em volta, está límpido — o ar, a água, a vegetação do cerrado de instigante e ao mesmo tempo misteriosa beleza.
Esta região, chamada de Nascente das Gerais, nome de um circuito turístico, é privilegiada por ter a dádiva de ser banhada pelo rio Grande e ainda por fazer brotar dos mais profundos lençóis d’água o grandioso — porém sofrido e maltratado, mas ainda redentor — rio São Francisco, o “Velho Chico”.
Nascente das Gerais é, não há dúvida, um bom nome para identificar essas terras que abrigam muitas belezas e uma série de paradisíacos recantos entre as serras da Canastra e da Babilônia.
“Paraíso do ecoturismo”
Em uma área de 1.171 km² desta parcela sudoeste de Minas entre a represa de Peixotos, no rio Grande, e a Serra da Canastra, a 411 km de Belo Horizonte, estão os domínios do município de Delfinópolis, não por acaso conhecido como o “paraíso do ecoturismo”. Os vários atrativos desta pequena cidade — pouco mais de 8 000 habitantes — que no ano de 1919 ganhou o nome em homenagem ao então governador (na época presidente de Minas) Delfim Moreira, justificam a alcunha.
Numa magnífica paisagem típica do cerrado, esculpida por serras — como a Preta, a Branca, do Cemitério, do Caminho do Céu, da Gurita, a Grande, a de Santa Maria e da Babilônia — chapadões e vales brotam uma fartura de nascentes, piscinais naturais, fontes termais e nada mais nada menos do que cerca de 150 cachoeiras dos mais variados formatos,  Alturas e tamanhos, porém com uma característica em comum: as águas são invariavelmente límpidas e transparentes. É bom lembrar que o Parque Nacional da Serra da Canastra tem uma grande área dentro dos limites de Delfinópolis — o que configura mais um importante atrativo turístico.
Trilhas a desbravar
Um dos acessos à cidade não deixa de ser outra atração: é preciso atravessar o rio Grande por meio de uma balsa, que funciona 24 horas, numa curtíssima viagem de quinze minutos. A outra forma de acesso é via o caminho conhecido como Estrada Ecológica.
Uma vez dentro do município de vocação ecoturística, são várias as opções de passeio em meio à natureza que desenhou fascinantes paisagens.
Pra começar a aventura, primeira opção pode ser desbravar as trilhas que se oferecem em diferentes graus de dificuldade, todas dentro de fazendas — a maioria das propriedades garante algum suporte para o visitante e também cobram pequenas taxas pelo acesso — com nomes como Roladouros, Galheiros, Condomínio de Pedras, Caminho do Céu, Chora Mulher, Pico Dois Irmãos, Monjolinho, Chapadãozinho e Casinha Branca. Esta última é a mais conhecida por ser de dificuldade média e ter 10 km de extensão.  Ao longo da caminhada no alto da Serra Preta, além do lindo visual da Represa de Peixotos ao fundo, o turista vai poder se esbaldar com as cachoeiras do lugar chamado de Complexo do Paraíso. São deliciosas quedas d’água — como as cachoeiras do Triângulo, Borboleta, Vai Quem Pode , Coqueirinho, Lambari e Paríso —, que formam generosos poços para banhos.
Uma trilha mais desafiante, porém repleta de indescritíveis cenários por cruzar uma região de rara beleza e rica em biodiversidade, é a travessia à pé para a Casca d’Anta, a deslumbrante cachoeira da nascente do São Francisco, cuja beleza dispensa maiores comentários. São três dias de caminhada, um desafio que vale muito a pena para quem ama a natureza.
Complexos de cachoeiras
Poucas cidades de Minas Gerais podem oferecer tantas opções de cachoeiras tão agradáveis quanto Delfinópolis. É impressionante a variedade assim como a transparência, limpeza e frescor das águas. Elas estão em meio a vales, no meio das matas, entre serras, nas chapadas e despencam de paredões. São tantas quedas d’água que esses irresistíveis atrativos foram nomeados como complexos.
Mais próximo da cidade, a 1,5 km, fica o complexo do Serro Alegre. São vários poços para banhos, além da linda cachoeira. No complexo do Claro, a seis quilômetros, destacam-se as cachoeiras da Paz, do Tom, da Cidade de Pedra e da Gruta. O lugar, que cobra uma taxa dos visitantes, oferece estacionamento, pousada, área para camping e lanchonete. As mesmas descrições valem para o complexo do Paraíso, a 7, 5 km de distância. Lá, o turista tem ao seu dispor uma pousada, uma lanchonete e trilhas para ótimas caminhadas. Também é cobrada uma taxa de visitação. Mais distante, a 32 km, fica o complexo do Luquinha, um ótimo passeio para quem gosta de dirigir pelas trilhas de terra que, aliás, são bem sinalizadas. Um pousada no local atende quem desejar ficar um pouco mais para aproveitar o sossego e as cachoeiras. Outro complexo interessante, este a 22 km, é o de Maria Concebida ou Água Quente — por causa de um poço de águas mornas. Chega-se de carro até dois quilômetros de distância (existe uma área de estacionamento, outra para camping e banheiros) que precisam ser percorridos à pé em uma trilha bem sinalizada.
Com boa infraestrutura para receber os visitantes como pousada, restaurante, sanitários, as cachoeiras do Vale do Céu, privilegiadas pela natureza, estão a 70 km de distância. No lugar, que cobra taxa de visitação por pessoa, o turista ainda tem ao seu dispor um auditório, um espaço para exposições e ainda pode assistir produções de video com temas ligados ao meio ambiente.
Outras cachoeiras que merecem todo destaque é a cachoeira do Ouro, a 33 km; de Santo Antônio, a 7,5 km; e do Zé Carlinho, a 26 km. A primeira é considerada uma das mais bonitas de Delfinópolis pelo volume d’água, por estar em meio à mata fechada e pela altura da queda. Conta com estacionamento, lanchonete e é cobrada taxa de visitação.
A segunda possui um grande volume de água que cai com muita força na represa. Não é propícia a banhos, mas o visual é impactante. Já a terceira atrai pelo delicioso poço para banhos. Uma casa serve refeições, e é possível conhecer o seu alambique de cachaça artesanal, além de degustar a bebida. Um estacionamento completa a estrutura de atendimento; paga-se a taxa de visitação.
Acervo de atrativos
Outro lugar que precisa ser conhecido é o condomínio de Pedras no alto da Serra Preta: descrito como um dos lugares mais belos da região, pois formações rochosas no meio do cerrado foram esculpidas pelo vento durante milhões de anos. O cenário é de puro encantamento. Para fechar o acervo de atrativos desta surpeendente Delfinópolis, cidade “paraíso do ecoturismo”, vale a pena se aventurar para conhecer as corredeiras do Rio Santo Antônio, localizadas no sopé da Serra do Cemitério. Para quem gosta de praticar esportes de aventura como rafting, boia-cross e canoagem, dentre outros, as condições são muito boas.
É preciso, porém, muita atenção com a  chuva. Se começar a chover, é fundamental se afastar das margens por motivo de segurança.
Além da encantadora flora do cerrado, a região de Delfinóplis, sobretudo nos limites protegidos do Parque Nacional da Serra da Canastra, oferece aos olhos do turista a possibilidade de visualizar raros animais como o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, o veado-campeiro, o tatu-canastra, a jaguatirica e ainda capivaras, lontras e macacos-prego. Das aves,  é possível avistar — e se deslumbrar — com a ema, o urubu-rei, a curicaca, os gaviões carcará e carrapateiro, os tucanos e o raríssimo pato mergulhão.
É por estas tantas riquezas, resumidas neste acervo natural de inestimável valor, que o município de Delfinópolis pode se consagrar definitivamanente como um destino turístico de alto valor agregado em todas as vertentes do ecoturismo.
(revista sagarana)

DELICIAS DE MINAS

Ingredientes:

- 2 kg de mandioca cozida
- 1,5 kg de peito de frango cozido, temperado e desfiado
- 2 latas de creme de leite
- 3 latas de milho verde
- 300 g de presunto em fatias
- 300 gde muçarela em fatias
- 1 vidro pequeno de azeitona
- 1 cebola picada
- 1 pimentão picado
- Cheiro-verde a gosto
- 2 colheres (sopa) de óleo
- Tempero a gosto

Como fazer Escondidinho de mandioca com frango:

Refogar, no óleo, o tempero, a ce­bola, o pimentão, o cheiro-verde e as azeitonas, que devem ser cor­tadas em pedaços bem pequenos. Retirar do fogo e misturar com o frango desfiado e o milho verde. Reservar. Amassar bem a man­dioca e misturar o creme de leite, de modo a ficar bem homogêneo.

Em uma travessa, fazer uma ca­mada com metade da massa de mandioca, seguida do molho com frango, o restante da mandioca e, por fim, o presunto e a muçarela. Levar ao forno por menos de 10 minutos, tempo suficiente para derreter o queijo.

Para quem quer se deliciar com uma nova versão do clássico, Jaquelina Xavier Araújo, moradora da comunidade rural do Jatobá, dá a dica. A aparência de sua receita é a mesma das tradicionais, mas, ao ser levada à boca, a iguaria intriga o paladar.

Aos ingredientes, a jovem mistura milho verde em conserva, o que confere, lá no fundo, um gostinho que faz toda a diferença. Se você salivou só de imaginar, o que não faltam são bons argumentos para correr logo para a cozinha e preparar essa maravilha. (sabores de minas)

Receita fornecida por Aparecida de Jesus Gomes Benfica, de Joaquim Felício: (38) 99908-1312

quarta-feira, 4 de julho de 2018

3 MOUNTAINS - WATING FOR A SIGN

A cantora e violonista Mônica Teresa Borges cresceu praticamente dentro do Clube da Esquina. Nada mais natural para quem tem como tio ninguém menos do que Lô Borges, sócio-fundador do Clube ao lado de Milton Nascimento.
Mas Mônica desde cedo também extrapolou os limites das esquinas de sua Minas Gerais. Fez intercâmbio na Áustria, morou na Suíça e, nos últimos anos, estava radicada na Inglaterra, onde conheceu o guitarrista, tecladista e cantor Gil Patrick Gilchrist.
E, da convivência com Gil, nasceram o amor, um filho (vindo ao mundo em janeiro de 2009) e uma dupla, 3Mountains, na qual ambos expressam sua paixão pela música.
A música do mundo. Sem fronteiras. Mas com o requinte harmônico que caracteriza os sons do célebre Clube mineiro. Sofisticação pop percebida logo em Living in the Light, a primeira das doze músicas do álbum de estreia do duo, Waiting for a Sign, lançado pelo selo mineiro Ultra Music, com distribuição nacional da Tratore.
Vc encontra também no site  loja musica a musica que vem de minas.
texto http://lojamusicaquevemdeminas.blogspot.com 
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segunda-feira, 2 de julho de 2018

MAMOUR BA - O PODER DO RÍTMO

por Eduardo Tristão Girão (www.uai.com.br)
Mais um grande artista que viu em Minas Gerais seu porto seguro.

“Belo Horizonte era polo cultural do Brasil há 35 anos. Beto Guedes, Clube da Esquina Marco Antônio Guimarães estavam em alta. E havia também a dança contemporânea, o jazz, a capoeira. Ainda no Senegal, me falavam de Belo Horizonte e que eu deveria vir para cá, pois era central, entre Rio de Janeiro e São Paulo”, lembra o percussionista e compositor senegalês Mamour Ba. Há 35 anos, ele deixou Dacar rumo à capital mineira, onde se tornou referência em cultura africana, ajudando a difundi-la em shows, espetáculos de dança e oficinas.

Formado pela Escola de Arte de Dacar, Mamour atuou no balé e na orquestra nacionais de seu país, quando teve a oportunidade de viajar por quase 20 países. Morou durante nove anos na França, período em que estudou composição na Universidade de Versailles e atuou como músico. Tocou com ícones do continente africano, como o cantor nigeriano Fela Kuti e o saxofonista camaronês Manu Dibango. Como bolsista da Unesco, havia decidido ir para o México, mas seus amigos da embaixada brasileira em Dacar o fizeram mudar de ideia. Assim, BH entrou na sua rota.

Seu disco de estreia (lançado em 2013 ) é resultado de toda essa caminhada, incluindo a parte mineira, que começa no curso de composição da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Entre seus colegas estavam os violonistas Fernando Araújo e Gilvan de Oliveira e nessa época teve a oportunidade de conhecer mestres como Hans-Joachim Koellreutter e César Guerra-Peixe. A língua não foi um obstáculo tão grande, lembra ele. “Temos laços bem interessantes com o Brasil. O clima, a comida, as pessoas, a fonética. Foi fácil me adaptar e o fato de saber falar francês ajudou.”
 Com oito faixas autorais, 'O poder do ritmo' foi gravado em 2013, em Belo Horizonte. Mamour tocou praticamente todos os instrumentos, o que inclui boa variedade de percussões trazidas do Senegal, como balafon (espécie de marimba de madeira), djembe e sabar, este último um dos mais característicos do seu país. “Quando se toca o sabar por lá, todo mundo para e presta atenção. Está presente nos batizados e em manifestações diversas do país”, exemplifica. Ele só deixou a bateria a cargo do filho Cheikh Ba – sua filha Djeinaba Kane Ba, ainda está aprendendo piano.

Além de introduzir novos sons de percussão africana no país, o artista quer que o álbum ajude a mudar a concepção dos brasileiros sobre o ritmo. “As pessoas entendem o ritmo como acompanhamento, com um cantor à frente. No meu disco não é assim, há um diálogo com a percussão”, explica. Instrumental, o disco é baseado principalmente em ritmos senegaleses, com melodias de inspiração africana e, como define o percussionista, “harmonias universais”. Pitadas de pop, música eletrônica e improvisação (jazz) são as “pistas” que ele deixa para as futuras conexões que deseja desenvolver.

“Se as bandas de rock descobrissem o sabar, ele explodiria pelo mundo. Ele fala como a guitarra”, diz Mamour. Ele diz ter visto percussionistas de cantoras baianas como Ivete Sangalo e Daniela Mercury usando sabar, mas, na opinião dele, os colegas “ainda não sabem encaixá-lo na música”. Há exemplos do potencial da percussão africana por todo o disco e um dos mais interessantes é expresso por meio dos bongas, conjunto de seis tambores que não substitui, mas assume de forma discreta (e curiosa) o papel do baixo. 'Mansana-Cissé', 'Thiossen' e 'Elegance' são bons exemplos disso.

A propósito, esta última faixa tem como base ritmo conhecido na África como gumbé e chama a atenção pela similaridade com a batida brasileira do maculelê . Mamour diz que fez isso de propósito: “Para aproximar e mostrar que muito do que se toca aqui é tocado lá também. A forma é a mesma”.
Um coral para BH

Mamour Ba revela que vem estreitando laços com a Colômbia (onde também há forte herança africana) nos últimos quatro anos. Esteve lá pela primeira vez para participar de uma conferência e voltou maravilhado com a música que ouviu, principalmente na comunidade de Palenque de San Basilio, no Norte do país, habitada por descendentes de escravos africanos levados para lá pelos colonizadores espanhóis. O percussionista tem ido todo ano para lá, onde desenvolve trabalho com um grupo vocal.


Fazer o mesmo aqui é um sonho, confessa: “Montaria um coral de 200 vozes para fazer Belo Horizonte cantar. Seria todo fim de ano, numa praça, para manter nossos laços culturais”. Por enquanto, o mais próximo disso é o projeto de seu próximo disco, ainda sem nome, mas já conceitualmente definido: repertório exclusivamente de canções de Milton Nascimento interpretadas por 30 vozes, todas gravadas por Mamour. “Por que Milton não foi ainda gravar com os africanos?”, pergunta o músico senegalês.

“Haverá base de percussão, com as vozes ao centro”, adianta. Já selecionou músicas como 'Maria Maria', 'Fé cega, 'faca amolada', 'Travessia', 'Coração de estudante' e 'Francisco'. Convidados estão previstos, mas Mamour prefere manter segredo. O artista planeja entrar em estúdio para registrar as músicas ainda este ano.

PELO MUNDO

Mamour Ba tem feito, frequentemente, apresentações no exterior. Para o ano que vem, já estão marcados shows nos Estados Unidos, Austrália e países da Europa. Além disso, ele visita anualmente o Senegal, onde mora parte de sua família.

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CANTO SAGRADO